'La última de Leo'
A notícia era esperada. Isso não a tornou menos triste. Lionel Messi deixou a seleção argentina. Escreveu que já não tinha mais para dar. Uma frase estranha quando vem de alguém que passou a vida inteira a dar-nos aquilo que mais ninguém possuía. Um segundo diferente. Um metro invisível. Uma solução onde todos os outros viam apenas pernas, relva e adversários.
Na Argentina, o anúncio foi recebido como se o país tivesse perdido uma parte da sua própria voz. Messi não era apenas o capitão. Nem apenas o melhor marcador. Nem sequer o homem que conquistou o Mundial no Qatar e devolveu aos argentinos uma alegria guardada desde Maradona no México-86. Messi era uma forma de a Argentina se reconhecer.
Durante muito tempo, essa relação foi difícil. Exigiram-lhe que fosse Maradona, como se um génio pudesse repetir outro génio. Cobraram-lhe a infância em Barcelona. O sotaque. Os silêncios. As finais perdidas. Houve quem confundisse timidez com distância e quem entendesse as lágrimas como fraqueza. Messi carregou tudo. Sem discursos inflamados. Sem responder a cada ofensa. Apenas a jogar.
Perdeu finais. Saiu da seleção. Voltou. Continuou. Até ganhar. Primeiro a Copa América. Depois a Finalíssima. Finalmente o Mundial. Logo a seguir outra Copa América. E nesse instante, quando levantou a taça em Lusail, não conquistou apenas o título que lhe faltava. Fechou uma ferida argentina. A partir daí, já ninguém precisava de lhe........
