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A Europa quer reduzir o défice com a China. Quem paga a fatura?

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18.10.2026

Há dois anos, a Alemanha figurava entre as vozes mais críticas das tarifas europeias sobre os veículos elétricos fabricados na China. No início de outubro, subscreveu, com a França, um documento que pede a Bruxelas instrumentos para limitar o acesso ao mercado único a quem o prejudique de forma sistemática. 

A Reuters descreve a mudança como uma inversão de Berlim, e é ela, mais do que qualquer estatística, que explica o momento europeu: quando a maior economia do continente passa a defender instrumentos de defesa comercial que antes encarava com maior cautela, o debate deixa de ser doutrinário e passa a ser político.

Os números dão a medida do problema. Em 2025, segundo o Eurostat, a União Europeia exportou 199,6 mil milhões de euros em bens para a China e importou 559,4 mil milhões, o que deixa um défice de 359,8 mil milhões. As exportações europeias recuaram 6,5% num ano, as importações subiram 6,4% e, numa década, as compras à China aumentaram 89%, contra 37,1% nas vendas. 

O ano de 2026 não inverteu a tendência: de acordo com a Reuters, o défice já rondava os 200 mil milhões de euros no primeiro semestre. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, classificou a situação como “insustentável” e prometeu recorrer a todos os meios para a reduzir.

Um défice, por si só, não prova concorrência desleal: as importações mais baratas podem reduzir custos para as empresas e preservar o poder de compra dos consumidores. Torna-se politicamente explosivo quando coincide com perda de emprego industrial. O grupo Volkswagen aprovou, em setembro, a eliminação de........

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