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Jorge Forjaz e o desinteresse como critério de verdade

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02.01.2026

Começamos o ano a falar dos séculos. No dia 9 de Dezembro, estive na Torre do Tombo para assistir à apresentação de uma obra que demorou décadas a ser feita e que demorará décadas a ser digerida. Talvez não tenham sido décadas — não sejamos pedantes logo à partida —, mas foi, em todo o caso, muito tempo. A sala estava cheia, mas a sala era pequena. Fosse o espaço directamente proporcional à vastidão da obra em causa, não poderia estar. O que seria bom sinal. Porque, em Portugal, quando se fala de genealogia com seriedade, a escala humana mede-se em quarenta ou cinquenta caturras. Talvez menos.

Ainda não disse o nome? Vou dizer. “Genealogias da Madeira e Porto Santo”, o seu autor Jorge Forjaz. Tinha sido apresentada dias antes no Funchal, com idêntica singeleza, quase em surdina. O tipo de discrição que não é falha de comunicação, mas sinal de grandeza. É que tudo o que é verdadeiramente fundamental não sabe promover-se (nem quer, nem precisa). Há coisas que nascem para o barulho do instante e outras para o silêncio das eras. Esta obra pertence claramente à segunda estirpe.

O que Jorge Forjaz publicou é, simplesmente, um assombro. Uma obra de dimensão e ambição inauditas, daquelas que não pedem adjectivos porque os tornam redundantes. As Genealogias da Madeira e Porto Santo não são um livro entre outros: são uma biblioteca condensada: dez volumes, mais de sete mil páginas, milhares e milhares de nomes. As páginas amarelas do sangue madeirense; ou então uma ilha inteira passada a limpo.

O historiador açoriano soma, aliás, uma obra publicada que ultrapassa........

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