Falhar aos doentes oncológicos é falhar a todos
Num país que se orgulha de um Serviço Nacional de Saúde universal e tendencialmente gratuito, a recente rejeição, no Parlamento, das propostas que visavam garantir o pagamento a 100% do subsídio a doentes oncológicos revela uma fratura inquietante entre discurso político e realidade social. Mais do que uma decisão técnica ou orçamental, trata-se de uma escolha moral e nesse plano, o País falhou.
O cancro não é apenas uma doença. É uma experiência total que desorganiza a vida de quem a enfrenta e de quem a rodeia. Implica tratamentos prolongados, muitas vezes incapacitantes, efeitos secundários severos e um desgaste psicológico profundo. A tudo isto soma-se, frequentemente, a perda de rendimento. É precisamente neste ponto que o Estado deveria assumir um papel inequívoco de proteção, assegurando que ninguém é empurrado para a precariedade enquanto luta pela própria sobrevivência.
As propostas agora rejeitadas pretendiam algo simples – garantir que os doentes oncológicos recebessem a totalidade do seu rendimento durante........
