Os governos não caem pelas crises. Caem pela forma como as comunicam
Um governo pode apresentar bons resultados económicos, aprovar reformas importantes ou cumprir grande parte do seu programa e, ainda assim, perder a confiança dos cidadãos por uma razão simples: não soube comunicar.
A comunicação política e a comunicação crise continuam a ser encaradas por muitos responsáveis políticos como um mero exercício de imagem e de detalhe. Nada podia estar mais longe da realidade. A comunicação política é uma ferramenta de governação. É nela que se mede a capacidade de liderança, de transparência e de credibilidade de quem exerce o poder.
Uma crise política, por si só, não derruba governos. O que frequentemente os derruba é a forma como reagem quando essa crise surge.
Vivemos numa sociedade onde a informação circula em segundos. As televisões transmitem em direto, os jornais atualizam notícias ao minuto, as redes sociais amplificam qualquer acontecimento e a opinião pública forma julgamentos antes mesmo de existirem todos os factos. Neste contexto, a pressão mediática tornou-se permanente, exigindo respostas rápidas, coordenadas e estratégicas.
É precisamente essa pressão que distingue os governos preparados dos governos improvisados.
O erro mais comum é acreditar que comunicar consiste apenas em reagir às perguntas dos jornalistas. Não consiste. A comunicação começa muito antes da conferência de imprensa. Começa na preparação dos cenários, na identificação dos riscos, na definição das mensagens e na existência de uma estratégia clara para cada situação........
