Montadoras ensinaram China a fazer carros; agora compram tecnologia chinesa
Montadoras ensinaram China a fazer carros; agora compram tecnologia chinesa
Durante boa parte das últimas quatro décadas, a lógica da indústria automobilística chinesa era relativamente simples: para ter acesso ao enorme mercado local, fabricantes estrangeiras formavam sociedades com empresas do país. Junto com fábricas e investimentos, chegavam processos produtivos, padrões de qualidade, engenharia, gestão e conhecimento acumulado por companhias que já faziam carros havia muitas décadas.
Hoje, a relação começa a se inverter. A Volkswagen desenvolve carros e uma nova arquitetura eletrônica com a XPeng. A Audi criou com a SAIC uma plataforma para uma família de elétricos. A BMW recorre a empresas chinesas para inteligência artificial e assistência à condução. E a Stellantis pretende usar componentes do ecossistema da Leapmotor até em um futuro Opel europeu.
Não significa que alemães, americanos ou franceses tenham desaprendido a fazer carros. A mudança é outra: uma parte crescente do valor tecnológico do automóvel migrou de áreas em que as fabricantes tradicionais tinham enorme vantagem, como motores, transmissões e engenharia mecânica, para baterias, eletrônica, software, inteligência artificial e sistemas de assistência à condução.
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E foi nessa transição que a China passou de aprendiz a parceira tecnológica. Um estudo publicado pela consultoria K.LUME, de Milad Kalume Neto e Maia Martins, trata as antigas joint ventures como uma verdadeira "escola industrial" para o país. Segundo o material, elas não serviram apenas para aumentar a produção chinesa: criaram um fluxo contínuo de conhecimento em manufatura, engenharia de produção, qualidade, desenvolvimento e gestão, que depois passou a ser incorporado pelas companhias e fornecedores locais.
O processo não foi rápido. O mesmo estudo lembra que a China passou décadas absorvendo tecnologia e formando fornecedores antes de alcançar escala, mercado e uma estrutura........
