Deputado dizia a investigados do INSS que tinha acesso a Pacheco, afirma PF
Deputado dizia a investigados do INSS que tinha acesso a Pacheco, afirma PF
Investigação da Polícia Federal aponta que o deputado federal Euclydes Pettersen (Republicanos-MG) recebeu R$ 14,7 milhões de investigados nas fraudes do INSS porque vendia um suposto acesso a Rodrigo Pacheco (PSD-MG), então presidente do Senado.
Não há provas de que Pacheco tinha conhecimento desse arranjo ou que efetivamente facilitou qualquer nomeação.
O senador nega conhecer ou ter tido qualquer contato com os investigados (leia a nota completa abaixo).
Josias de SouzaExplicação da mulher de Moraes piorou o soneto
Explicação da mulher de Moraes piorou o soneto
Wálter MaierovitchFachin esqueceu da suprema faxina
Fachin esqueceu da suprema faxina
Bernardo GuimarãesNão mate o mensageiro: deixe a gasolina subir
Não mate o mensageiro: deixe a gasolina subir
M.M. IzidoroO que acontece depois do Oscar, Brasil?
O que acontece depois do Oscar, Brasil?
Relatório da PF obtido pelo UOL aponta que a Conafer (Confederação Nacional dos Trabalhadores e Agricultores Familiares), investigada por fraudes contra aposentados, pagava pela influência do deputado.
Segundo a investigação, os pagamentos eram articulados pelo então presidente da Conafer, Carlos Roberto Ferreira Lopes, que tentava aprofundar seus contatos em Brasília.
"Há suficientes provas da materialidade e indícios de autoria de que o deputado federal (Euclydes Pettersen) era figura essencial ao esquema, pois concedia acesso a Carlos Roberto aos políticos que tinham alguma ingerência na indicação de nomes para a Presidência do INSS, como Rodrigo Pacheco", diz a PF.
"Com isso, Carlos Roberto trabalhava para indicar os servidores que ocupariam funções-chave para o bom funcionamento do esquema de descontos indevidos, (e) todos também recebiam pagamentos recorrentes indevidos", diz o relatório.
Carlos Roberto foi preso em flagrante em setembro, um dia após depor na CPI do INSS. Procurada pelo UOL, a defesa não se manifestou até a publicação da reportagem.
A investigação aponta que Euclydes se apresentava, perante os demais integrantes do esquema, como alguém capaz de intermediar esse tipo de contato e era remunerado por isso.
Procurado, Euclydes disse que não iria se manifestar. "O parlamentar reafirma sua inocência e sua tranquilidade quanto ao esclarecimento dos fatos pelas vias próprias. Além disso, em respeito ao sigilo decretado nas investigações e ao seu regular andamento, não fará comentários adicionais sobre o caso", disse, por meio de sua assessoria.
Dia da posse e reunião
As evidências que sustentam a conclusão da PF foram extraídas do celular apreendido de Bruna Braz de Souza Santos, esposa de Carlos Roberto, presidente da Conafer.
Em 1º de fevereiro de 2023, na posse dos parlamentares eleitos para a legislatura de 2023 a 2026, Bruna pergunta a Carlos Roberto qual seria o dia da posse de "Euclides". Ele responde que "foi hoje".
Depois, Carlos Roberto menciona que houve eleição das mesas "da Câmara e Senado também" e que "Pacheco foi eleito" —referindo-se, segundo a PF, a Rodrigo Pacheco, reeleito naquele dia como presidente do Senado.
Em seguida, Carlos Roberto afirma nas mensagens que estava "indo encontrar com eles" em uma reunião em um restaurante em Brasília para tratar da indicação do presidente do INSS.
A PF avalia ser provável que esse encontro tenha sido viabilizado por Euclydes, que teria aproveitado as circunstâncias da posse para proporcionar ao operador do esquema o acesso a políticos.
No dia seguinte, 2 de fevereiro, Glauco André Wamburg foi nomeado presidente do INSS, cargo que ocupou até julho daquele ano.
Pacheco nega, porém, que tenha se encontrado com os investigados nesta ou em qualquer outra ocasião.
"Não conheço e nunca estive com o senhor Carlos Lopes e a senhora Bruna Braz. Nunca me reuni para tratar de indicação da pessoa de Glauco André Fonseca Wamburg que, aliás, eu sequer sabia que havia sido presidente do INSS", disse.
"Também nunca fiz indicação alguma para o INSS e não conheço seus diretores e ex-diretores. Parece se estar diante de uma confusão de informações que misturou a notícia da minha eleição para presidente do Senado, um fato nacional mencionado por um cidadão de Minas Gerais, com outros assuntos que não me dizem respeito."
"A referência a ir se 'encontrar com eles' por certo não me inclui."
Nomeações estratégicas
Poucos dias depois, em 16 de fevereiro, Carlos Roberto encaminhou a Bruna uma imagem com a publicação no Diário Oficial da União da nomeação de André Fidelis para a Diretoria de Benefícios e Relacionamento do instituto.
Nas mensagens, ele diz estar "aliviado" e que "agora sim" havia completado "sua missão", o que, para a PF, demonstra que Carlos Roberto atuava deliberadamente para garantir a indicação de pessoas de confiança a cargos-chave do INSS.
Para a investigação, o controle sobre essas nomeações era fundamental para a manutenção do esquema, pois permitia que os fraudadores operassem sem obstáculos de auditorias internas.
Euclydes era o integrante —ou "herói", como diziam os investigados— mais bem remunerado da lista de propina mapeada pela PF.
Segundo os investigadores, isso indica que seu papel ia além das emendas parlamentares de R$ 2,5 milhões que ele destinou ao Instituto Terra e Trabalho, ligado à Conafer.
A PF concluiu haver provas suficientes da materialidade e indícios de autoria para os crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro dos investigados, que envolvia também propina ao ex-presidente do INSS Alessandro Stefanutto.
Como um todo, o esquema da Conafer movimentou R$ 708 milhões e atingiu mais de 600 mil vítimas que tiveram descontos indevidos realizados em seus benefícios previdenciários sem autorização.
Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.
O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL.
Cano de Mirassol deveria servir para Ancelotti não cometer o 'erro Neymar'
Modelo francesa ironiza Neymar ao comentar post sobre curtida polêmica
Se Castro for cassado, quem assume governo do RJ? Entenda linha sucessória
Fonseca mostrou nível de top 10, mas Sinner tinha mais de onde tirar
Gabigol marca dois gols em 8 minutos, e Santos arranca empate com Mirassol
