'O Agente Secreto' nos faz olhar para nossos lugares de memória
Reflexões sobre os múltiplos sentidos da morte e fim da vida
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Com quatro indicações ao Oscar —melhor filme, filme internacional, ator e escalação de elenco—, "O Agente Secreto" é um filme com cheiro. A primeira cena fede a óleo misturado ao odor que sobe do chão, onde um corpo mal coberto se decompõe. Moscas e mosquitos crescem em volume tão vertiginoso quanto a aflição sentida por Marcelo, personagem interpretado por Wagner Moura.
E isso é um elogio.
É preciso certa sensibilidade para evocar por meio da grande tela o cheiro das ruas da morte. Sejam as ruas do Recife de 1977; sejam as minhas ruas nas periferias da cidade de São Paulo de 1990; sejam as ruas da Serra da Misericórdia na maior chacina do Rio de Janeiro, em outubro de 2025.
Não faz muito tempo, escrevi que não há metáfora que dê conta das ruas da morte. Um corpo exposto assusta, amedronta. Ao passar por essas vias, temos duas escolhas: fingir que fantasmas não existem e nos unirmos à invisibilidade de suas memórias; ou, então, aceitar ser arremessado pela força escrachada de uma perna cabeluda e se juntar à dor e à raiva de não ter sua história contada.
Neste filme, o diretor........
