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Brasilização do mundo vai além do exposto pela The Economist

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25.02.2026

Ciclista, vencedor do Prêmio Jabuti Acadêmico, economista pela USP e pesquisador do Insper. Foi visiting scholar nas universidades de Columbia e Stanford

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Brasilização do mundo vai além do exposto pela The Economist

Existe um considerável hype em torno do país

Para muitos gringos, o CPF tem se tornado o novo Green Card

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A revista The Economist decidiu olhar para o mundo rico a partir de uma palavra que nos conhece bem. Brasilização. O termo aparece para descrever países que passaram a gastar mais e a aceitar conviver com uma política fiscal menos rígida. Ainda que isso seja verdade, o olhar comparativo logo aciona um velho gatilho. Criticar o Brasil.

Boa parte da mídia nacional e dos formadores de opinião gosta de seguir esse caminho. E, em alguns casos, existe razão nisso. O país carrega problemas antigos. A evolução dos gastos públicos é, de fato, preocupante. Ignorar isso seria ingenuidade. Porém, quando a crítica vira hábito automático, existe algo que se perde. Perdemos a capacidade de perceber o que avança e, sobretudo, o que nos move.

E o que raramente entra na conta é a força cultural do país. Esse grande movimento, chamado brasilidade, continua sendo subestimado. Música, comida, festas, improviso, mistura e uma cultura pulsante. O Brasil tem seus modos de viver singulares. E esses modos parecem começar a circular como um desejo global cada vez mais latente.

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Em 2025, o país bateu recorde de visitas internacionais. Cidades brasileiras voltaram ao mapa de grandes eventos e experiências culturais. Gente de diferentes partes do mundo quer sentir o que acontece aí. Boa parte dos gringos está se rendendo à brasilidade.

Nesse cenário, parece existir uma demanda global crescente por autenticidade. Existe um cansaço com lugares superlotados e excessivamente formatados. Lugares onde a cultura virou produto enlatado e o cotidiano foi higienizado emocionalmente.

Agora... Vejamos também pela ótica do mercado, que costuma farejar desejos antes de muita gente admitir que deseja. O Brasil tem virado fragrância, paleta de cores e fantasia de verão. As chinelas Havaianas, por exemplo, foram o produto mais cobiçado do mundo no terceiro trimestre de 2025, segundo o Lyst Index. A Sol de Janeiro, empresa gringa de cosméticos inspirada no imaginário carioca, ganhou escala como fenômeno viral global em 2023.

Mas o que está sendo vendido não são apenas chinelos e cheirinhos bons. É uma ideia de corpo com sol, de praia que cabe no banheiro e de Carnaval que cabe num frasco. Quando isso funciona globalmente, pode-se dizer que existe uma certa demanda emocional por esse tipo de imaginação.

No entanto, muitos gringos ainda têm medo de se aventurar na direção desse imaginário devido à violência. E com certa razão. O país convive com riscos que não podem ser ignorados. Contudo, muitos ainda não sabem que, ao chegar no Brasil, dificilmente vão perder a vida, mas certamente vão encontrar diferentes formas de experienciá-la. Ainda que, ao final, talvez isso lhes custe o celular.

E não tem como ignorar o significativo papel dos influenciadores e de vários gringos que visitaram e se encantaram com o Brasil. Conteúdos feitos por eles elogiando o país têm movimentado a internet nos últimos meses e criado uma espécie de hype em torno do Brasil. Além disso, têm gerado uma brincadeira coletiva de que agora o CPF é o novo Green Card.

Com tudo isso, fico pensando se estamos diante de uma importante inversão, pois, durante décadas, muitos brasileiros idealizaram um certo estilo de vida do norte. Agora, parte desse norte parece idealizar um certo Brasil.

O texto é uma homenagem à música "Reconvexo", escrita por Caetano Veloso, interpretada por Maria Bethânia.

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