Ataque à Venezuela desafia Lula entre condenar EUA e manter canal com Trump
Embora chame de "inaceitável", "afronta ao direito internacional" e "precedente extremamente perigoso", a nota do presidente Lula sobre o ataque dos Estados Unidos à Venezuela e a captura do líder do país Nicolás Maduro não cita nominalmente o autor das ações. Em cinco parágrafos e 153 palavras de comunicado oficial, brasileiro não usa nem uma única vez o termo "Estados Unidos".
Em diplomacia, inclusão e omissão de palavras jamais são acidentais. Ao optar por manter oculto o sujeito dos atos, Lula sintetiza o desafio que enfrentará agora, em pleno ano eleitoral: como condenar nos termos mais fortes a ação militar da superpotência que, a rigor, pode tentar repetir tal ato em qualquer país da região, sem destruir as recém-pavimentadas relações bilaterais com Donald Trump?
Semanas antes da ação, o Palácio do Planalto já considerava provável que algo do tipo pudesse acontecer. Tanto assim que Lula determinou que seus auxiliares em política externa cancelassem o recesso de fim de ano e se mantivessem em Brasília para auxiliar o presidente a reagir.
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