Resilientes a quê?
Algumas palavras têm uma estranha tendência para melhorar a realidade sem a alterar. Tornam suportável, na linguagem, aquilo que continua insuportável na vida.
Resiliência é uma delas.
Hoje chamamos resiliente ao trabalhador que suporta horários impossíveis, à mãe que cria três filhos sozinha sem qualquer rede de apoios, ao jovem que salta de estágio em estágio até aos 30 anos, ou ao doente que espera meses por uma consulta sem perder a esperança.
É um elogio, mas talvez devesse ser um alarme.
Porque há uma pergunta que fazemos cada vez menos.
Durante muito tempo, a resiliência era convocada apenas pelo extraordinário: uma doença grave, uma guerra, uma semana debaixo de escombros após um sismo. Era uma capacidade rara, necessária quando a vida fugia violentamente ao guião.
Hoje é um requisito para sobreviver a uma terça-feira normal.
As ofertas de emprego procuram pessoas resilientes. Os manuais de liderança ensinam resiliência. Os psicólogos ajudam-nos a........
