O Matuto e os Piratas
O Matuto sempre gostou de histórias de piratas. A sua infância foi preenchida pelas aventuras do Corsário Negro — o Senhor de Ventimiglia, que se torna pirata para vingar a morte dos irmãos, assassinados pelo governador de Maracaibo; de Sandokan, o Tigre da Malásia; de Long John Silver, de A Ilha do Tesouro, clássico de Robert Louis Stevenson — com aquele “Yo-ho-ho and a bottle of rum” que ainda hoje lhe fica a ecoar na memória..
Lembrava-se de, em Matutinho, subir aos muros da escola, olhar o horizonte do campos verdes de Inglaterra e gritar, sem grande convicção mas com muita imaginação:— Land ahoy!!!
Mas o pirata favorito do Matuto é Klaus Störtebecker — o Pirata do Elba. É Luís Sepúlveda quem conta a história no livro Rosas de Atacama.
No ano de 1390, a Liga Hanseática impunha, a ferro e fogo, o seu domínio mercantil sobre o Atlântico Norte e o Mar Báltico. Estabelecia impostos absurdos, fixava preços arbitrários para artesãos e agricultores e, nos seus mil barcos, os capitães utilizavam a forca para castigar........
