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O Matuto e as Pequenas Ternuras

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21.07.2026

O Matuto ouviu dizer por aí que a ternura estava fora de moda. Ficou a matutar na coisa. Não lhe pareceu. Pelo contrário. O Matuto chegou à idade da ternura.

Não a ternura dos quarenta, feita de entusiasmos. Mas outra. A idade em que uma caneta faz mais sentido que um smartphone. A idade em que um gesto vale mais do que um discurso e uma memória mais do que uma novidade. É a idade das pequenas ternuras.

O Matuto entende de ternurices, por isso afirma que há ternura em quem obstinadamente colecciona selos. Em quem acorda de madrugada e se espanta com um céu crivado de estrelas. Em quem ainda chore vendo Casablanca. Em quem segura delicadamente uma lagartixa e lhe faz festas com a ponta dos dedos. Em quem se debruça sobre uma flor do campo como se estivesse diante dum quadro de Monet. Em quem ri das próprias rugas. Em quem sobe uma escada cautelosamente. Em quem se curva diante dos velhos. Em quem decide estudar uma língua morta. Em quem percorre a cidade à procura dos lugares onde........

© SOL