Espanha avança e nós?
As sociedades evoluem quando têm a coragem de questionar hábitos enraizados e de colocar o interesse coletivo acima do conforto da rotina. Foi assim com a obrigatoriedade do cinto de segurança, com a proibição de fumar em espaços fechados, com o uso do capacete nas motas ou com tantas outras medidas que, numa primeira fase, geraram polémica e resistência.
Hoje, porém, são vistas como decisões naturais e indispensáveis.
É precisamente neste contexto que deve ser analisada a nova iniciativa legislativa do Governo espanhol, que pretende proibir o consumo de tabaco em esplanadas, praias, piscinas públicas, instalações desportivas, recintos universitários e outros espaços públicos ao ar livre. Mais do que uma simples alteração à lei, trata-se de uma mudança de paradigma: a saúde pública deixa de estar limitada às quatro paredes de um edifício e passa a abranger todos os espaços onde as pessoas convivem diariamente.
A proposta espanhola surge numa altura em que a evidência científica sobre os efeitos do tabagismo passivo continua a acumular-se e em que cresce a preocupação com a normalização do consumo de tabaco, sobretudo entre os mais jovens. Ao incluir também os cigarros eletrónicos e dispositivos de vaporização, Espanha reconhece uma realidade que muitos países ainda hesitam em enfrentar: a tecnologia mudou a forma de fumar, mas não eliminou os riscos nem a influência social destes produtos.
Em Portugal, este debate continua praticamente ausente da agenda política. Mantemos uma legislação que representou um enorme avanço quando proibiu........
