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Hungria: asfixia democrática travada

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17.04.2026

Nota prévia: A ministra Rosário Palma Ramalho pode não conseguir mais nada de espetacular, mas já valeu a pena ter estado no Governo. Isto porque deu seguimento a uma petição exigindo que os funerais de crianças e de deficientes profundos passem a receber subsídio idêntico ao de quem descontou para a segurança social. Dir-se-á que era o mínimo e que a situação era absurda e cruel. É verdade, mas existia! E foi a atual titular, que não é tida por ser alma especialmente sensível, que resolveu a questão com justiça. Bem-haja, pois!

1. Durante 16 anos, Orbán governou a Hungria, criando paulatinamente um regime corrupto, vassalo de Putin, anti-ucraniano, iliberal, fã do trumpismo, e anti-União Europeia. Como a jiboia, Orbán foi asfixiando a jovem democracia húngara. Tomou conta de todos os setores. Criou uma oligarquia rica e dominante. Exportou a sua ideologia infecciosa para a Europa ocidental, financiando partidos nacionalistas e projetos de comunicação. Aparentemente, o consulado de Orbán e dos seus comparsas acabou domingo. Peter Magyar conseguiu um resultado suficiente para desconstruir legalmente (visto que tem mais dos dois terços de mandatos necessários) o ordenamento jurídico-constitucional de Orbán. Além da rejeição popular à asfixia democrática, valeu a Magyar a gigantesca degradação económica e a adesão de uma juventude dinâmica pró-ocidental que agregou quase todas as correntes de opinião, da esquerda à direita, apesar de ele próprio ser um conservador........

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