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Sou evangélico. Provavelmente não sou aquilo que pensa!

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02.09.2026

"Pensas que por acreditares em Deus és melhor do que nós? Já vi outros como tu."

Foi assim que um colega me abordou à saída de uma sessão da Assembleia Municipal do Entroncamento.

Não respondi. Qualquer frase naquele corredor pareceria uma defesa preparada, talvez até uma confirmação daquilo que ele já pensava. Mas levei a pergunta comigo.

Sou pastor evangélico. Sou gestor numa instituição social, participo na política e, acima de tudo, sou marido e pai. Contudo, naquele corredor, as duas palavras da primeira frase tinham apagado todas as outras.

O meu colega não estava a falar apenas comigo. Estava a falar com a imagem que tinha construído dos evangélicos.

Compreendo de onde vem essa imagem.

Basta ouvir a palavra "evangélico" para muitos pensarem num pregador aos gritos, num líder que pede dinheiro, num fanático que condena todos ou num político que usa Deus para conquistar votos. Algumas dessas imagens são injustas. Outras foram construídas por pessoas que transformaram a fé em espetáculo, o nome de Deus em negócio e a fragilidade humana numa oportunidade.

Não escrevo para defender tudo o que se apresenta como evangélico.

Uma das nossas maiores falhas tem sido exigir que a sociedade saiba distinguir aquilo que nós próprios, demasiadas vezes, não tivemos coragem de confrontar. Há pessoas e comunidades que procuram seguir Jesus, servir o próximo e manter coerência entre aquilo que anunciam e aquilo que vivem. E há charlatães que usam exatamente a mesma designação.

O problema é que o escândalo faz mais ruído do que o serviço discreto. Uma frase absurda na televisão chega a milhares de pessoas. A ajuda silenciosa a uma família, a visita a um idoso ou o........

© Sapo