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O metal que enlouquece

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21.01.2026

"De qualquer modo, o actual perigo de rebelião nos Estados Unidos do presente não brota da dissensão e resistência a leis particulares, ordens executivas e políticas nacionais, e nem sequer da denúncia do «sistema» ou das «instituições» com os familiares tons de escândalo em relação aos baixos padrões morais dos que ocupam lugares cimeiros e à atmosfera protetora de conivência que os rodeia. Aquilo com que estamos confrontados é uma crise constitucional de primeira ordem […] Existem frequentes ameaças à Constituição feitas pela Administração."

O trecho acima, da autoria de Hannah Arendt, foi publicado em 1972, com o título Desobediência Civil. Poderia ter sido escrito ontem, mas tem mais de cinquenta anos. Meio século depois, o que impressiona nesta análise não é apenas a sua lucidez, mas a sua coincidência quase literal com o presente. O contexto à época, porém, apesar de ser de grande tensão (guerra no Vietname, corrupção, culminando no caso Watergate), era diferente em muitos aspectos, mas não em consequências sociais e políticas. Arendt identificou dois elementos que são relevantes também para o presente: por um lado, a banalização da violação constitucional por parte de quem governa; por outro, a recusa crescente de partes significativas da população em reconhecer um consensus universalis mínimo que permita a vida política partilhada, em que o poder deixa de respeitar as regras que o fundam e, ao mesmo tempo, os governados deixam de reconhecer qualquer regra como legítima.

É interessante perceber outro momento crucial da História, a partir da voz de Alce Negro, Sioux Oglala, nascido em 1863, que testemunhou o momento........

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