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Master, Refit e Carbono Oculto: o elo entre Faria Lima, Centrão e o crime organizado

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31.12.2025

“É o andar de cima que irriga com bilhões as atividades criminosas. Não estamos falando de milhões, mas de bilhões”, disse o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, após a operação contra o Grupo Refit, do megafraudador Ricardo Magro — o maior devedor de impostos do Brasil —, que montou uma estrutura que lavou o equivalente a R$ 1 bilhão por meio de 15 offshores instaladas no estado de Delaware, nos Estados Unidos, um paraíso fiscal que pouco aparece na mídia liberal.

A Operação Poço de Lobato, contra Ricardo Magro e o Refit, interliga-se à Compliance Zero, que levou Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, a passar alguns dias na cadeia, e à Carbono Oculto, que investiga o uso de fintechs na Faria Lima e no setor de combustíveis para lavar dinheiro para o Primeiro Comando da Capital (PCC), facção criminosa que nasceu e atua a partir de São Paulo.

Esse “andar de cima” do crime organizado tem muitas coisas em comum, entre elas nomes ligados ao mesmo grupo político, que vai da direita fisiológica à ultradireita bolsonarista, e que atuam no lobby para blindar os ricaços, seja de impostos, seja da cadeia.

Enquanto o governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), levantava uma nuvem de fumaça matando 122 pessoas — entre elas cinco policiais — nas operações nas comunidades do Alemão e da Penha para antecipar o debate eleitoral sobre segurança pública, a Polícia Federal (PF) avançava em um território hostil e pouco conhecido do crime organizado.

Essa incursão passa pela paulistana Avenida Faria Lima, onde se abrigam os endinheirados do sistema financeiro, pela carioca Barra da Tijuca, onde políticos como os do clã Bolsonaro dividem condomínios com matadores e traficantes internacionais de armas, e pelo rico interior paulista, onde “empresários” de clubes de tiro são usados para escoar fuzis vindos dos EUA e municiar facções, como o Comando Vermelho (CV), na guerra contra policiais — oriundos, muitas vezes, das mesmas comunidades em que jovens e até crianças são recrutados para entrar nas fileiras do tráfico de drogas.

Desencadeada em agosto, a Operação Carbono Oculto levou um verdadeiro exército formado por agentes das polícias Federal, Militar e Civil, além de promotores do Grupo de Atuação........

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