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Multidões nas ruas expõem crise do Congresso

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16.12.2025

Neste domingo (14), dezenas de milhares de pessoas foram às ruas em diversas cidades do Brasil, nas capitais de estado e em municípios médios, para protestar contra o chamado PL da Dosimetria, que reduz penas para os condenados do 8 de Janeiro, com a intenção explícita de aliviar as punições para o ex-presidente Jair Bolsonaro e outros envolvidos na trama golpista.

Além da pauta principal em comum, as mobilizações exibiam faixas como “Congresso inimigo do povo”, refletindo um mote que já se popularizou nas redes sociais e traduz a insatisfação das pessoas em relação ao Legislativo, ensimesmado em suas próprias pautas e pouco permeável a uma agenda que tenha relação real com a vida e o bem-estar da população.

Os atos podem ser considerados mais um passo na consolidação de uma retomada da mobilização de rua como estratégia de disputa política por parte da esquerda. Com a direita e a extrema direita dominando o espaço público para realizar suas manifestações há anos, o campo progressista já havia levado multidões às ruas em atos contra a PEC da Bandidagem, em um momento no qual os bolsonaristas já não conseguem ocupar as ruas como antes.

Não deixa de ser simbólico que dois atos que aconteceram quase simultaneamente em trechos diferentes da Avenida Paulista, no domingo retrasado (7), tenham sido tão contrastantes. De um lado, a manifestação contra o aumento dos casos de feminicídio e outras formas de violência contra as mulheres reuniu 9,2 mil pessoas, segundo metodologia do Monitor do Debate Político do Cebrap, em parceria com a ONG More in Common. De outro, um ato bolsonarista pela anistia reuniu aproximadamente 1,4 mil pessoas.

Artistas no centro do palco

Um aspecto importante a se destacar, tanto nas mobilizações contra o PL da Dosimetria quanto naquelas contrárias à PEC da Bandidagem, em setembro, é a efetiva participação de artistas na convocação dos atos e nos próprios eventos. No Rio de Janeiro, que contou com os maiores públicos do Brasil tanto em uma quanto em outra ocasião, a manifestação foi batizada de “Ato musical 2: o retorno”, moldando o caráter de continuidade e de adesão de artistas como Caetano Veloso, Gilberto Gil, Chico Buarque, Paulinho da Viola, Emicida, entre muitos outros.

Caetano foi um dos primeiros a convocar o ato anterior, e a........

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