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A encruzilhada entre o sentir e o acontecimento

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22.04.2026

Os artigos da equipa do PÚBLICO Brasil são escritos na variante da língua portuguesa usada no Brasil.Acesso gratuito: descarregue a aplicação PÚBLICO Brasil em Android ou iOS.

Estive na abertura da décima edição do Festival Dias da Dança a assistir a Encruzilhada, do Balé da Cidade de São Paulo (BCSP), coreografada pelo Renan Martins, e pensei que não conseguiria trazer para o campo da palavra o que me foi atravessado neste acontecimento. A experiência de assistir a este espetáculo na cidade do Porto, deslocado de seu território de origem, transporta os nossos corpos migrantes pelos arquivos da nossa memória cultural partilhada, referências que constituem um Brasil contemporâneo que não aceita ser conformado em estereótipos.

Cheguei ao teatro Rivoli para a sessão com um amigo, também brasileiro, e logo nos deram a folha de sala. Ele olhou o verso da folha e disse: “Olha só! Temos um poema!”. Começou a falar em voz alta as palavras que estavam escritas e, logo nas primeiras linhas, reconheci o que quase toda criança que viveu no Brasil entre os anos de 1980 e 1990 não poderia ignorar.

Perguntei-lhe se não era familiar. Ele disse-me que não. De pronto, encarei o papel e encontrei o primeiro trecho, que me pus a ler com a melodia da Xuxa. Ele finalmente a reconheceu: Arco-íris. Ainda no saguão, cantarolamos baixinho o trecho, antes de entrarmos na fila para o espetáculo.

Já na sala, à medida que caminhávamos em direção aos nossos assentos, reconhecia no entorno rostos familiares, personagens da vida portuense. Pessoas que conheço, e também as que não conheço, mas que já vi por aí nesta cidade que nos leva a revisitar os mesmos lugares, com outros sujeitos e roupagens.

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A sensação de déjà-vu é constante. A cada canto, revejo........

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