Os onze candidatos, ordenados pela vontade real de ser Presidente
Revela uma insegurança curiosa para alguém com um currículo que já devia funcionar como certificado de imunidade ontológica. Décadas a explicar a “política” a um público simultaneamente cativo e remoto (que nunca respondia, aplaudia ou abandonava o lugar) criaram nele a convicção de que deve sempre existir algures um mal-entendido para esclarecer, uma imprecisão para corrigir, uma táctica para elucidar. Vem daí também a sua insistência na boa-fé e imparcialidade, na laboriosa apresentação do seu fair play, no cuidadoso sorriso autodepreciativo. Marques Mendes ri-se de si próprio como quem quer destrunfar: vejam, já estou a achar graça, logo vocês não precisam. Quando o riso vem do outro lado, quando o comentário interrompe ou contraria, fica imediatamente tenso e inicia um processo de verificação factual, como se qualquer incorrecção fosse uma lamentável injustiça.
Mantém uma alegria quase infantil perante a ideia de arbitrar, de harmonizar, de ser o adulto na sala, de poder dizer, agora falo eu e ninguém muda de canal — não com qualquer sentido autoritário, mas no de quem gosta genuinamente de ser aquele que preside, que decide quem se senta onde, que distribui a palavra e o tempo, que fala em último lugar para reenquadrar o que foi dito antes. Para Marques Mendes, é o culminar lógico de uma vida passada a preparar sumários executivos do país, sublinhando pontos-chave com marcador fluorescente. Nenhum outro candidato quer isto mais do que ele.
Vontade de ser Presidente: 10/10
Há 12 anos que António José Seguro vive numa sala de espera, a folhear revistas antigas, à espera de ouvir o seu nome a ser chamado. Há nele uma espécie de melancolia administrativa, o ar de um homem que cumpriu todas as etapas, seguiu os procedimentos correctos, carimbou todos os formulários, e ficou à espera da promoção que nunca chegou porque entretanto mudaram as........
