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Escola e inteligência artificial: entre promessas e desafios?

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20.01.2026

Avolumam-se as publicações sobre o impacto das tecnologias de inteligência artificial (IA) na educação e nos percursos de escolarização, oscilando entre leituras claramente pessimistas, como se a escola estivesse a atingir a sua derradeira etapa de existência, e entusiasmos amplamente redentores, que proclamam o advento de uma nova era.

Na realidade, e tal como tem sido concebida desde meados do século XIX, ainda atravessada por resquícios de matriz medieval e sustentada na autoridade livresca do professor, a escola encontra-se, hoje, imersa no que tem vindo a ser designado como transformação digital.

Trata-se de um processo marcado por mudanças substantivas que incidem, primeiramente, sobre o conhecimento e a sua organização curricular, depois, sobre a pedagogia e os modos de aprender e, por fim, sobre a avaliação, se forem valorizados os três vetores de análise da estrutura escolar, propostos por Basil Bernstein.

Estas e outras transformações são analisadas no livro, de acesso aberto, Inteligência Artificial e Educação no Sul Global, escrito como resposta a um desafio lançado à compreensão das dinâmicas que se estabelecem entre a IA e a educação em contextos específicos, sobretudo quando existem restrições de recursos que tendem a aprofundar desigualdades já existentes, quer nos vetores anteriormente referidos (currículo, pedagogia e avaliação), quer no desenvolvimento profissional docente, na gestão escolar e na decisão política.

Com efeito, vários autores discutem se a IA se limita a apoiar a transformação dos sistemas educativos e dos seus processos e práticas de inovação, ou se responde a desafios mais complexos que se colocam nessas mesmas áreas. Adotando uma abordagem sistémica e com foco na educação básica, que corresponde, na maioria dos países, à escolaridade obrigatória, os autores partilham a ideia de que a IA tem um impacto significativo nos sistemas educativos, entendidos como uma complexa ecologia de instituições que, diariamente e à escala global, moldam as oportunidades de aprendizagem de crianças, jovens e adultos. Simultaneamente, valorizam a IA como um conjunto diversificado de tecnologias que, ao simular a inteligência humana, realizam tarefas centrais que a escola tradicionalmente desenvolveu através de outros meios tecnológicos. Coloca-se, assim, a questão: tratar-se-á de mudanças marginais ou de uma verdadeira transformação digital da escola?

Perspetivada de forma isolada, a IA poderá não passar de mais uma ferramenta inovadora, semelhante a tantas outras que, ao longo do tempo, alteraram a escola, sobretudo a escola do livro impresso. Contudo,........

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