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Do regresso da estratégia às faces de Jano /premium

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14.06.2019

Se a primeira década deste século foi marcada pelo terrorismo, as restantes serão definidas pela questão chinesa. Na arena internacional, quando o confronto direto cai, cresce a importância do longo-prazo. Isso vê-se no estabelecimento das prioridades, por exemplo, do Departamento de Estado norte-americano e também no despontar de preocupações geopolíticas no seio da União Europeia. Poderá falar-se, ou pelo menos perguntar-se, se há um regresso da estratégia às relações internacionais.

No fim-de-semana em que Augusto Santos Silva veio, mais uma vez, relativizar a iniciativa Belt and Road, Miguel Monjardino diagnosticou no Expresso uma dialética que auxilia o debate: por um lado, a visão estratégica (“dominante na região euro-atlântica”) e, por outro, a visão geoeconómica (de “ambições industriais, económicas e financeiras”).

Atualmente, de qual destas mais se aproximará o posicionamento português?

O ensaio assinado pelo ministro dos Negócios Estrangeiros no passado domingo oferece uma perspetiva que, consoante a embaixada, poderá ser lida como declaração de intenções ou como nota explicativa. Mas de pouco serve ler Santos Silva, hoje crescentemente pressionado pelos aliados tradicionais de Portugal, sem ouvir o que Santos Silva disse sobre política externa no último seminário diplomático em que participou.

Em uma hora e dezassete minutos, o ministro, na sua característica elasticidade intelectual, foi da geometria ao divino. Primeiramente, modificou o eixo sob o qual usualmente se debate a política externa portuguesa. De um quadrilátero para um hexágono – assumindo um recente “estreitamento de relações” com a........

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