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Uma nova política industrial

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08.06.2026

É neste território onde hoje nos encontramos para esta importante reflexão, em boa hora organizada pela AEMINHO e pelo Observador, que fervilha o empreendedorismo industrial mais interessante, que contraria os recorrentes diagnósticos que apontam a nossa economia como estando condenada a ser frágil, funcionalizada, dependente de mercados imprevisíveis. Esse fatalismo resulta da ignorância e do desconhecimento que esta conferência ajudará a quebrar.

É nesta macrorregião, que tem um dos seus epicentros em Braga, mas que se estende entre os rios Minho e Vouga e se vai alargando paulatinamente a territórios interiores, que muitas empresas, resistindo às vagas de aquisições, têm escalado, adquirido competências tecnológicas diversificadas, aprimorado os seus processos de gestão e inovado através de novos produtos mais complexos, de maior valor acrescentado.

Obviamente, e apesar desses fatores positivos e desta energia, nem tudo corre bem, como tiveram oportunidade de ouvir ao longo do dia.

Há fatores de incerteza, por razões exógenas e globais que não podemos controlar, e por razões endógenas que tardámos em resolver.

No livro Balada da Média Virtude, de que fui coautor com Fernando Freire de Sousa e Guilherme Costa — há cinco anos e quando a situação internacional era menos complexa — podem ler que “uma nova dinâmica que permita ultrapassar o esgotamento e a imutabilidade fundamental da estrutura económica nacional implica que uma estratégia industrial para o nosso país não se possa resignar a um retorno a uma espécie de ‘novo normal’ que se traduziria, em última instância, numa continuidade do velho”.

Se o regresso ao velho normal já não era, então, suficiente, hoje é impraticável, e essa circunstância exigirá políticas públicas que promovam uma transformação estrutural da economia portuguesa. O que é, note-se, particularmente difícil num país muito centralista, profundamente avesso a reformas, que insiste na lamúria mas recusa a autocrítica, integrado numa União Europeia em que o processo de decisão é muito mais lento do que em outros blocos económicos.

Estamos a assistir, a nível global, a um uso mais frequente de tarifas e subsídios. De acordo com a Organização Mundial do Comércio, os Preferential Trade Agreements deixaram de ser uma exceção e aumentaram de cerca de 50 em 1990 para mais de 350 em 2025. Esses acordos, em que dois ou mais países reduzem seletivamente tarifas e restrições comerciais excluindo países terceiros, distorcem os princípios do livre comércio e têm um impacto sistémico. Tudo isto sucede numa altura em que há uma revolução em curso, resultante da alteração e disrupção das cadeias logísticas, da transição energética, da digitalização e do advento da inteligência artificial.

É neste cenário complexo que as políticas industriais voltam a estar no epicentro da discussão. Como se sabe, houve sempre quem questionasse se elas são necessárias. Os mais liberais defendem que as mutações devem ser determinadas pelos mercados. Sucede, contudo, que até esses admitirão que as circunstâncias que vivemos equivalem a uma falha de mercado, o que justifica uma intervenção do Estado. Ou seja, a questão já não........

© Observador