menu_open Columnists
We use cookies to provide some features and experiences in QOSHE

More information  .  Close

Sobre a eleição presidencial

16 8
21.01.2026

A primeira volta das eleições presidenciais ficou marcada por um número invulgarmente elevado de candidatos, na sua maioria com patrocínio partidário. O resultado foi um voto fragmentado, com margens curtas e dependente de uma parte relevante do eleitorado que se mostra pouco previsível, que decide cada vez mais tarde, sem grande fidelidade ideológica e partidária. As escolhas fizeram-se (e fazem-se) cada vez mais por exclusão do que por verdadeira adesão, num ambiente em que a perceção de que um dado projeto político é viável para a vitória conta tanto ou mais do que o conteúdo das propostas.

No centro e à direita, essa dispersão teve custos claros. A presença simultânea de Marques Mendes, João Cotrim de Figueiredo e Henrique Gouveia e Melo desencadeou um conflito interno que acabou por beneficiar os dois candidatos que passaram à segunda volta. E se os dois últimos eram “outsiders”, a verdade é que a opção do PSD/CDS por Marques Mendes foi o fator decisivo para o desfecho da primeira volta. Explico.

Mendes nunca conseguiu afirmar um perfil presidencial sólido. Apresentou-se senatorial, quase um “dono-disto-tudo”, manifestando surpresa com o escrutínio que lhe foi feito por vários candidatos e por alguns meios de comunicação social. André Ventura e António José Seguro questionaram-no de forma direta, embora pouco incisiva. Já João Cotrim de Figueiredo e Henrique Gouveia e Melo expuseram o problema central: a dificuldade de conciliar o percurso de vida de Mendes com a exigência ética e simbólica da função presidencial.

Em vez de esclarecer, Mendes evitou o tema. Nunca explicou de forma clara o que fez, para quem trabalhou e em que termos. Preferiu devolver os ataques por via indireta, recorrendo a alguns media e aos seus principais apoiantes para lançar suspeitas e pôr em causa a reputação dos adversários. Essa estratégia agravou a perceção de falta de elevação institucional e acabou por confirmar reservas já........

© Observador