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Quando toda a gente vai, faz sentido perguntar porquê

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13.08.2026

Há fenómenos curiosos na natureza. O movimento dos planetas, as marés, as migrações das aves, as formigas a trabalhar em fila e, aparentemente, a nossa extraordinária capacidade de formar filas sem fazer a mais pequena ideia do que estamos à espera.

Ao longo dos anos tenho reparado, com alguma perplexidade e alguma ironia, num fenómeno social que me parece cada vez mais evidente: basta que algumas pessoas se encaminhem numa determinada direcção para que, pouco depois, muitas outras comecem a caminhar exactamente para o mesmo sítio.

Não porque tenham pensado particularmente no assunto. Não porque tenham descoberto uma necessidade que desconheciam. Às vezes nem sequer sabem muito bem para onde vão.

Porque os outros vão.

É uma característica humana antiga, naturalmente. A psicologia social tem nomes bastante respeitáveis para isto: conformismo social, influência social, prova social, influência normativa, comportamento de manada. Termos científicos que, traduzidos para linguagem de café, talvez se possam resumir a: “Se tanta gente está a fazer, alguma razão há de haver.”

E, se não houver, pelo menos não ficamos sozinhos.

A misteriosa fila para lado nenhum

Um dos exemplos mais interessantes é precisamente o da fila que se forma sem um propósito definido.

Imagine-se uma rua onde não existe absolutamente nada de especial. Uma pessoa pára num determinado ponto e fica ali.

Olha para a primeira.

Não sabe o que está a acontecer, mas conclui que aquela pessoa provavelmente sabe alguma coisa que ela própria desconhece.

Chega uma terceira. Vê duas pessoas.

Pouco depois temos dez pessoas perfeitamente convencidas de que existe uma razão para estarem ali, embora nenhuma delas saiba qual.

É quase uma pequena experiência sociológica espontânea.

O primeiro indivíduo criou uma dúvida. O segundo transformou a dúvida em hipótese. O terceiro transformou a hipótese numa regra. E os seguintes já encontram a regra pronta.

É aquilo a que a psicologia chama influência social informacional: perante uma situação ambígua, usamos o comportamento dos outros como informação.

O problema é que, às vezes, os outros também estão a usar-nos a nós como informação.

E assim nasce uma certeza colectiva a partir de uma sucessão de incertezas individuais.

“Toda a gente está a fazer”

Esta frase merece talvez um lugar especial no nosso património cultural.

“Toda a gente está a fazer.”

“Está toda a gente a ir.”

“Está toda a gente a falar disso.”

“É onde toda a gente quer ir.”

“É o restaurante que está na moda.”

“É a série que toda a gente está a ver.”

“É impossível não conhecer.”

A certa altura, já não precisamos de saber se gostamos da coisa.

O facto de muita gente gostar começa a ser considerado uma razão suficiente para nós próprios gostarmos.

É aqui que aparece a chamada prova social: se muitas pessoas escolheram alguma coisa, tendemos a interpretar essa escolha como uma indicação de que a coisa é boa, importante ou desejável.

E as redes sociais vieram tornar tudo isto extraordinariamente eficiente.

Antigamente alguém dizia:

“Toda a gente conhece.”

Hoje podemos verificar quantas pessoas deram “gosto”.

Antigamente alguém dizia:

“Toda a gente quer ir.”

Hoje vemos as fotografias de quem já foi.

Antigamente era preciso acreditar na opinião dos........

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