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Todos os lugares são de fala

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07.05.2026

Nos últimos muitos anos, os progressistas fazem manguitos aos seus supostos pilares: a razão (incluindo a ciência), o universalismo e até o progresso. E o último valor iluminista a ser apagado por esses Illuminati é a liberdade de expressão, substituída pela liberdade de aquiescência.

No Brasil, o governo acaba de gramar com dois nocautes. Jorge Messias, indicado por Lula da Silva para o Supremo Tribunal Federal (STF), foi chumbado pelo Senado – o que não acontecia há 132 anos, desde o segundo Presidente da República, Floriano Peixoto, em 1894. Esse “Messias” já era comicamente célebre desde 16 de Março de 2016, quando foi incumbido pela então presidente Dilma Roussef de entregar a Lula um termo de posse como ministro – o que evitava que este fosse preso na Lava-Jato. Mas a Polícia Federal desmascarou o ardil, e Lula acabou na cadeia. Não se pode dizer que tal Messias seja muito messiânico.

Em seguida, o Congresso anulou o veto de Lula a uma lei que pode abreviar a pena de outro Messias – Jair Messias Bolsonaro – de 27 para dois anitos. E o situacionismo passou-se. Fernando Haddad, candidato à Presidência derrotado por Bolsonaro em 2018, barafustou sobre o empate nas pesquisas das eleições presidenciais de outubro, entre Lula e o Bolsonaro baby (Flávio): “Só pode ser uma lavagem cerebral coletiva”.

Haja Omo, mas no caso a 5àsec  é o próprio regime. A Advocacia-Geral da União (AGU), cujo chefe é o inefável Jorge Messias, removeu postagens no X contra o projeto da deputada trans Erika Hilton, que equipara a misoginia ao racismo. E mandou a polícia investigar aqueles malandros – a maioria, mulheres. Como Erica Gorga, professora de Direito na Universidade de São Paulo, para quem o projeto “criminaliza meras palavras, estimula o ódio contra os homens e estigmatiza as relações heterossexuais”.

No Brasil não havia crimes de opinião: os casos de calúnia, injúria e difamação, previstos na Constituição, são tratados na esfera cível. A liberdade de expressão não dependia de uma “Via Verde” estatal (quando depende, já não é liberdade, mas mimo).

O STF faz pandã com o atual Executivo: de 2023 até hoje, o órgão decidiu a favor de Lula 90% das ações constitucionais analisadas. Atolado até ao cocuruto no escândalo do banco Master, o STF agora contratou uma empresa de “monitoramento das redes sociais”, com fiscalização de referências (até 500 mil por dia) aos seus ministros no X, Instagram, YouTube, Facebook e Tik-Tok. Preço: 300 mil reais (50 mil euros) por mês – o contribuinte brasileiro pagará para ser vigiado.

É que a ideologia infecta tudo: já não há limiar entre as esferas pública e privada, prerrogativa das sociedades abertas. O debate racional é substituído pela guerra cultural de todos contra todos, não olhos nos olhos, mas olho por olho. Resvalamos naquilo que os militares chamam Mutually Assured Destruction (MAD, ou Aniquilação Mútua Garantida).

O chato é que existem mesmo algo como o bem e o mal: se não existissem, não havia ação que fosse melhor ou pior do que outra. Sabemos que o amor é melhor do que o rancor, e a liberdade é melhor do que a escravidão. Mas, embora o bem e o mal sejam reais, o coração humano não está, nunca esteve e jamais estará em sintonia automática e perfeita com eles. Parafraseando São Paulo, nem sempre fazemos o bem que queremos, e volta e meia fazemos o mal que não........

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