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A actualidade do julgamento de Nuremberga

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O ano 2026 é o do 80º aniversário da conclusão, a 1 de Outubro de 1946, do primeiro julgamento de Nuremberga, ante o qual compareceram alguns dos principais responsáveis do regime nazi – Hermann Göring, Rudolf Hesse, Joachim von Ribbentrop, Wilhelm Keitel, Hans Frank, Ernst Kaltenbrunner, Julius Streicher, etc. – e de que resultaram, entre outras, doze condenações à morte e três de prisão perpétua.

A propósito deste julgamento histórico, foram realizadas várias produções cinematográficas, nomeadamente a efectuada, em 2025, por James Vanderbilt, com Russel Crowe e Rami Malek nos principais papéis, e que está em exibição em Portugal. A realização, ao insistir na alegada condescendência de Pio XII para com o nacional-socialismo, infelizmente repete um boato que a História já provou ser falso.

Este Papa foi, com toda a probabilidade, o estadista que, pessoalmente, mais pessoas salvou do extermínio, até ao ponto de disponibilizar a sua residência de verão, em Castel Gandolfo, para aí acolher judeus. Albert Einstein, que logrou emigrar para os Estados Unidos da América, reconheceu publicamente esta atitude de Pio XII, e Golda Meir, que foi Ministra dos Negócios Estrangeiros de Israel, por ocasião da morte desse Papa, em 1958, descreveu-o como “um grande servidor da paz”, que se manifestou a favor das vítimas do Holocausto. É muito significativo que o rabino-chefe de Roma, Israel Anton Zolli, ao converter-se, em1945, ao catolicismo, tenha adoptado o nome próprio de Pio XII, Eugénio, em reconhecimento pelo que este Papa fez pelo povo da antiga aliança, aliás patente na encíclica Mit brennender Sorge (1937), que condena o nacional-socialismo e que, embora assinada pelo seu predecessor, de facto foi atribuída a Pio XII.

Ressalvada esta imprecisão factual, que releva alguma ignorância, senão mesmo má-fé, esta........

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