O Efeito Borboleta do Carmo
O 25 de Abril é celebrado como um evento profundamente português: uma revolução de flores, canções e esperança doméstica. Mas há um facto paralelo, muitas vezes subestimado nos manuais de história, que projetou esta data para uma escala mundial: o 25 de Abril foi o “paciente zero” que abalou gravemente os regimes de segregação racial na Rodésia e na África do Sul.
O “Escudo” de Salazar
Até 1974, Portugal não era apenas um país com colónias. Era, na prática, o principal “segurança” geoestratégico dos regimes de minoria branca no sul de África. A Rodésia (hoje Zimbabué) e a África do Sul do Apartheid sentiam-se protegidas pelo “escudo” formado pelas províncias portuguesas de Angola e Moçambique.
Portugal funcionava como um muro que impedia a vaga de independências africanas de chegar diretamente às fronteiras de Pretória. Existia até uma aliança militar secreta, o Exercício Alcora, que coordenava esforços entre Lisboa, Salisbury e Pretória contra as guerrilhas. Quando os capitães de Abril derrubaram o regime no Carmo, não estavam apenas a libertar os portugueses. Sem o saberem naquela........
