A Europa dos Árbitros: quando o progresso virou Regulamento
Há uma velha ironia geopolítica que circula há anos nos meios económicos: os Estados Unidos inventam, a China produz e a Europa regula. Durante muito tempo, a frase serviu apenas para provocar um sorriso. Hoje, tornou-se um diagnóstico desconfortavelmente próximo da realidade.
A Europa continua a ser um dos melhores lugares do mundo para viver. As nossas cidades permanecem seguras, os sistemas de saúde figuram entre os mais eficazes do planeta, a proteção social continua robusta e a qualidade de vida é invejável. Nada disto deve ser menosprezado.
O problema começa quando confundimos bem-estar com relevância económica.
Durante séculos, a Europa foi o maior centro de transformação do conhecimento humano. Mas importa recordar uma verdade que demasiadas vezes esquecemos. A ciência moderna não nasceu exclusivamente na Europa. Os algarismos chegaram-nos da Índia, através do mundo islâmico, a álgebra foi profundamente desenvolvida pelos matemáticos árabes, a pólvora, a bússola, o papel e a impressão tiveram origem na China, muitos textos da Antiguidade clássica sobreviveram porque foram preservados, traduzidos e comentados por estudiosos muçulmanos durante séculos.
A verdadeira grandeza europeia nunca esteve na ideia romântica do génio isolado.
Esteve na extraordinária capacidade de absorver conhecimento vindo de diferentes civilizações, aperfeiçoá-lo e transformá-lo numa economia capaz de produzir riqueza, inovação e progresso numa escala nunca antes vista.
Foi essa combinação entre ciência, universidades, capital, propriedade privada, indústria e liberdade económica que tornou possível a Revolução Científica e, mais tarde, a Revolução........
