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Governar com cidadãos que não existem

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13.08.2026

Um governo prepara uma reforma. Antes de avançar, quer saber como reagiria a população. As respostas chegam quase de imediato. Só há um problema: ninguém respondeu.

Esta cena ainda é hipotética. A tecnologia que a torna plausível já não. No final de junho, a OCDE analisou 50 casos de utilização de IA na participação cívica em 22 países. Um deles é o Consult, uma ferramenta do governo britânico que, numa consulta sobre o setor da água, agrupou por temas mais de 50 mil respostas em cerca de duas horas. Ali, a IA ajudou a ouvir pessoas reais.

Mas o mesmo relatório identifica a fronteira seguinte: usar perfis gerados por IA, os chamados cidadãos sintéticos, para simular respostas de pessoas sem as consultar.

Já existem ferramentas que criam perfis de IA e simulam as respostas que esses perfis dariam em estudos de mercado. A OCDE considera altamente plausível que ferramentas semelhantes estejam em breve disponíveis para simular cidadãos. Admite usos muito específicos, como representar gerações futuras em políticas de longo prazo, mas deixa um aviso claro: uma simulação não deve substituir o envolvimento de cidadãos reais. Uma coisa é usar IA para nos ouvir melhor. Outra é usá-la para deixar de nos ouvir.

É........

© Observador