Tudo o que a esquerda nunca aceitará
1 É inútil. A esquerda radical nunca aceitará que o povo, esse povo que ela diz defender, vote na direita e se sinta muito bem nessa opção. Aquela esquerda está sempre a libertar o povo, sempre em luta, a luta nunca mais para. E se o povo eleitor assimilar um discurso que ela considera reaccionário, fica desorientada e recorre aos velhos chavões do fascismo e sabe-se que mais. Necessita e necessitará cada vez mais de apresentar a direita como um bando de degenerados, perversos e tarados.
2 É por isso que está implícita na esquerda radical uma tentação antidemocrática. Foi sempre assim: na revolução francesa com a convenção e o terror a que, não esqueçamos, Robespierre chamava «virtude», na revolução bolchevique e em todas a que se lhe seguiram com o seu cortejo de horrores e crimes. A única revolução que foi democrática foi a norte-americana e isso por uma razão muito simples: foi conservadora.
O nosso país não é excepção: de cada vez que ouço falar nos «verdadeiros valores de Abril» já sei que do que se trata é de perseguir, excluir e silenciar. Não há direito à expressão do desacordo com aquela esquerda. Toda ou quase toda a comunicação social portuguesa transmite este ponto de vista, possuída como está por uma verdadeira fúria mediática contra a direita. Quem ousar distanciar-se do discurso esquerdófilo deve ser perseguido, reduzido ao silêncio e até ilegalizado e preso.
3 A tentação antidemocrática daquela esquerda está sempre a vir ao de cima. Ainda há pouco ouvi um esquerdófilo candidato à Presidência da República, cujo nome não fixei, dizer sem pestanejar perante o público eleitor português que se fosse efeito Presidente dissolveria a Assembleia da República que ousasse fazer uma revisão constitucional que lhe não agradasse. É inaudito. Por muito ignorante que ele seja não acredito que não saiba ou que lhe não tenham dito que para se fazer uma revisão constitucional é necessária uma maioria parlamentar qualificada. Qualquer revisão constitucional exprime, por definição, uma larga maioria e é, portanto, necessariamente manifestação da vontade democrática, sendo até por isso que o Presidente da República não pode vetar a lei de revisão. Nada disso importa ao candidato a Lenine sim porque este também dissolveu a assembleia eleita em 1918 porque a maioria não lhe agradava.
4 A esquerda radical portuguesa não quer ganhar nada no plano das ideias. Quer exterminar. Mal tiver oportunidade exercerá a violência dita «necessária» como Saint-Just, mal puder fará do adversário inimigo. Temos um bom exemplo em França com o sr. Melenchon. Sabe-se lá quantos candidatos a Melenchons temos. Sei de vários. E até já pregam a «insubmissão»........
