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Sobre o aborto e preconceitos…

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17.06.2026

E se olhássemos para o umbigo?

Dizemos, inúmeras vezes, dos narcisistas que só olham para o umbigo. Mas antes olhassem, pois o umbigo é a parte do corpo que mais claramente nos diz, (aliás, de forma inequívoca), que é uma ilusão acharmos que não precisamos dos outros ‘para nada’.

O umbigo é o sinal que resta de uma ligação na qual dependemos, de forma total, de um outro; neste caso, de uma outra pessoa: a nossa mãe.

Olhar para o umbigo será, afinal, uma oportunidade para nos vermos, humildemente, na condição de indigentes, dependentes dos outros.

Quem dera, afinal, que os ‘narcisistas’ perguntassem ao umbigo o que ele tem, verdadeiramente, a dizer-lhes! Talvez eles, então, se ‘desumbigassem’ do primeiro sentido e despertassem para o segundo. Talvez deixassem de se refletir ao espelho das águas – como Narciso – e elevassem o olhar para os outros a quem tanto devem.

Vem esta reflexão a propósito de uma notícia um tanto ‘engenhosa’ que vi, recentemente, numa rádio de referência nacional, que dava conta de que, alegadamente, o bispo das Canárias afirmara que «há quem defensa o respeito pela vida quando se trata do aborto, mas queira que se corte a cabeça aos imigrantes».

Este título dava um tratado sobre jornalismo.

Não apenas pelo que significa de instrumentalização da ‘surpresa’ do leitor no sentido de aumentar audiências (algo semelhante a uma publicidade enganosa), mas também pelo que denuncia de preconceito vincado que recai sobre os que se dizem defensores da vida humana intrauterina.

Classicamente, poderíamos dizer que o tratado poderia incidir sobre elementos de ordem........

© Observador