Devia falar de presidenciais, mas não me apetece
Esta é a última coluna que publico antes da primeira volta das eleições presidenciais e o normal seria que estivesse a reflectir sobre a bizarra escolha de candidaturas que temos pela frente, mas admito que me falta entusiasmo, no limite paciência, porventura discernimento para acrescentar algo que não seja mais do mesmo.
Para além disso, ou me engano muito ou podemos estar num daqueles momentos da história em que a História acelera, em que em poucas semanas ou meses acontece o que não esperaríamos que pudesse acontecer. Não falo naturalmente do remanso deste nosso cantinho.
“Como é que foste à falência? De duas maneiras. Gradualmente, depois de repente.”
Ernest Hemingway, em Fiesta – O Sol Nasce Sempre
Como é que um regime cai? Gradualmente, e depois de repente. Muitas vezes quando menos esperamos.
Pode ser que estejamos a assistir a um momento destes no Irão. A revolta que tem enchido as ruas mesmo das cidades mais remotas não é como as anteriores – tem uma base social muito mais ampla e até começou entre os que, historicamente, foram suportes do regime, os homens dos bazares.
Sabemos que um regime, quando decide recorrer à repressão mais brutal para conter revoltas, por regra sai vitorioso. Mas também sabemos que a maioria das revoluções acontece quando nos corredores do palácios deixa de haver quem queira defender os ditadores.
Não posso antecipar o que sucederá no Irão, sobretudo agora que sabemos que os Estados Unidos podem mesmo cumprir a ameaça de Trump de intervir se continuar o massacre de manifestantes (no momento em que escrevo, estima-se que o balanço suba já a 500 mortos), pelo que não devemos descartar a hipótese de ataques destinados a atingir a cúpula do regime. Nem antever as suas consequências.
Mas há duas coisas que faço notar.
A primeira é a falibilidade dos analistas especialistas em........
