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A cantiga é uma arma... contra os judeus

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25.09.2026

Certos artistas fazem arte e ajudam-nos a atravessar a vida de forma mais agradável. Mas há “artistas” que sobem ao palco convictos de que a sua missão é reeducarem o público, sinalizarem virtude, exibirem superioridade moral.

O espectador entra para ouvir música e recebe o ralhete de que é uma péssima pessoa, se não subscrever as crenças do “artista”.

Portugal conhece bem a espécie. Durante o PREC, os baladeiros cantavam para  “consciencializar”, “mobilizar”, “denunciar” e outros verbos que, em português corrente, significavam explicar ao Zé da mercearia que ele era um atrasado se não decorasse a linha correcta do Comité Central.

Na época, desaparecida a censura da DGS, algumas aves canoras, ligadas às amplas liberdades marxistas e maoístas, apressaram-se a substituí-la pela obrigação de todos passarem a ter o direito de ouvir os seus ditirambos ideológicos. De preferência quietos, calados e virados para a frente.

O “Grupo de Acção Cultural – Vozes na Luta”,  expressão mais delirante desta vocação pedagógico-militar, infestava fábricas, quartéis, campos e assembleias. Onde quer que  houvesse gente, apareciam os bardos virtuosos. José Mário Branco berrava que  “A Cantiga É Uma Arma” contra a “burguesia” e o cantor passava a ser um artilheiro cultural em missão de combate pela virtude.

Em “Alerta!”, a humanidade dividia-se entre operários e camponeses de um lado, e a burguesia exploradora do outro. A salvação era a “democracia popular e ditadura proletária”, uma proposta do tipo  “entrecosto vegetariano”.

As cançonetas eram panfletos com refrão e o “povo” ouvia por dever revolucionário. Quem desafinasse passava a  reaccionário, “fássista”, ou “pequeno-burguês” e era cancelado, não nas redes sociais, mas por saneamento, a pontapé ou à bomba, se  fosse necessário.

Cinquenta anos depois a gola alta foi substituída pelo keffieh e pela melancia, mas a arrogância é a mesma. A cada “cause du jour”  importada das catacumbas woke, reaparece o “artista” com as certezas impenetráveis do adolescente com acne, que ouviu um slogan na sua bolha de alucinados e concluiu que a Humanidade esperava........

© Observador