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Alicante Bullshit

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15.07.2026

O consumo de vinho está a cair?

As novas gerações vão deixar de beber vinho?

O que está errado é a teoria conveniente de que tudo aquilo a que a lei permite chamar “vinho” é necessariamente vinho no verdadeiro sentido da palavra.

Perante a quebra do consumo, culpa-se a juventude, mas para os jovens a decisão é simples: se isto é vinho bom, então não gosto de vinho.

Quando as uvas são produzidas em quantidades que chegam a superar 15 toneladas por hectare, colhidas antes da maturação fenólica, até ao limite da rentabilidade e, depois, corrigidas em adega com ácido tartárico, sulfuroso, taninos, enzimas, leveduras, nutrientes, gomas e chips destinados a impor rapidamente um aroma de madeira, o resultado pode cumprir todos os procedimentos e regras legais, mas isso não o transforma num produto de qualidade. É o moderno vinho-a-martelo.

Quando o perfil do produto é decidido antes da vindima, com base em estudos de mercado, tendências de consumo e segmentos de preço, a vinha deixa de comandar o vinho. O enólogo recebe uma encomenda sensorial: mais fruta, mais acidez, menos doçura, mais madeira, taninos mais macios, um sabor directo e imediatamente reconhecível.

O resultado não é vinho, é “Coca-Cola Wine”: uma bebida previsível, repetível e ajustada ao consumidor estatístico.

A indústria constrói o produto, o marketing posiciona-o como “muito bom”, a origem atesta o rótulo, a ementa inflacionada faz crer que é de bom nível e, assim, se não gostas, é porque não entendes… não tens cultura de vinho. E esta, é a facada final.

Diz-se que as novas gerações não bebem vinho, que perderam a cultura da mesa, que preferem cerveja, gin, cocktails ou bebidas sem álcool. É uma explicação cómoda, porque evita discutir a qualidade e a identidade do produto que lhes está a ser oferecido.

As novas gerações não são fundamentalmente diferentes das anteriores. Há consumidores........

© Observador