Sobre o 7 de Outubro de 2023
Nos campos de extermínio criados pelo nacional-socialismo alemão, uma imaginação guiada por uma corrupção moral satânica inaudita inventou uma forma de execução perversa. Passava-se o laço à volta do pescoço do condenado, que, para evitar o enforcamento, se via obrigado a manter-se em bicos dos pés, até que a exaustão levasse a melhor. Tombando, o infeliz enforcava-se a si mesmo. A lógica concentracionária exigia a humilhação, a desumanização até ao fim. As suas leis de ferro impunham a degradação total até ao ponto em que a morte surge como libertação. A distorção grotesca da Criação revela-se aqui: o mal que não deve existir suprime-se a si mesmo. Sendo radical, o mal não se redime, não ascende até Deus, afunda-se no abismo da não existência.
Os ataques de 7 de Outubro de 2023, perpetrados pelo Hamas contra Israel, são terroristas numa acepção muito concreta. Não se trata de aterrorizar a população civil ou granjear publicidade para uma causa, no sentido tradicional. Mais, muito mais do que uma operação militar que vitimou deliberadamente civis, os ataques foram um acontecimento criado para efeitos mediáticos, segundo um plano bem definido – e ainda mais bem financiado. É isso que explica a campanha mediática que teve início quando ainda decorria o ataque. O objectivo foi sempre o espectáculo, a repercussão mediática mundial. A escala gigantesca dos meios usados serviu essencialmente para duas coisas.
Em primeiro lugar, levou a uma mudança radical na consciência judaica. Até então considerado um baluarte contra as constantes violências e exacções infligidas aos judeus, Israel perdeu esse estatuto. Não só os habitantes do país se viram........
