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Maldade de primeira página

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Atravessarem dois países e andarem onze dias deambulando por Portugal. Vendarem duas crianças de três e de cinco anos, iludindo-as com um jogo. Abandonarem-nas, de seguida, à beira da estrada, junto de um canal cheio de água e perto de arrozais alagados. Confraternizarem, depois disso, num bar, de forma descontraída, durante horas, a muito quilómetros de distância. E fazerem-se parecer enlouquecidos. Foi desta forma que, em traços gerais, ficámos todos em choque com uma notícia de exposição ao abandono, de violência e de omissão de auxílio duma mãe e de um padrasto franceses sobre duas crianças pequeninas (após terem deixado um adolescente de dezasseis anos, sozinho, em França).

Talvez o “impacto viral” deste episódio se justifique pela perplexidade como duas pessoas instruídas e, supostamente, esclarecidas, de forma calculista, tenham sido capazes da maldade, da perversidade e da frieza de exporem duas crianças muito pequeninas ao sofrimento, em condições de enorme perigo. Duma delas ser a mãe destas crianças que lhes deixou duas mudas de roupa, duas peças de fruta e algumas........

© Observador