Os agricultores gauleses, o Acordo EU-Mercosur e Macron
Há alguns anos, num ajuntamento de indignados agricultores franceses contra as orientações da Política Agrícola Comum no respeitante à produção porcina, um dos seus mais empenhados líderes exclamou, de megafone em punho: « Protéger le porc, c`est nous protéger nous-mêmes»!
Porque o humor não era para ali convidado, apenas restou a frontalidade da atitude em face da inaceitável situação que demandava uma transformação radical das regras até então em vigor.
Este rememorar dessa exortação catalogável na categoria linguística « Je Suis», vem a propósito das recentes e gigantescas manifestações em várias localidades gaulesas e em Bruxelas – sede da União Europeia – contra a eventual aceitação pela França do texto (supostamente) final do Acordo EU-Mercosur: também aqui é patente a firmeza dos agricultores descontentes, e, sem surpresa, estão uma vez mais em liça os recalcitrantes e reivindicativos agricultores franceses, reconhecidos mestres em matéria de protesto.
Com efeito, dever-se-á atentar no facto de estas suas últimas ações se registarem nas derradeiras horas de uma maratona de 25 anos de difíceis negociações entre as partes, já com a data da assinatura acertada para Dezembro de 2025, na presença, além do anfitrião Lula, dos presidentes da Argentina, do Uruguai e do Paraguai, e da Sra. Ursula von der Leyen a representar os 27 países-parceiros da União Europeia. E o inesperado sucedeu, na sequência da renúncia oficial francesa, transmitida à última-da-hora aos restantes parceiros envolvidos em todo o........
