Marcelino da Mata, In Memoriam
Passam, este ano, (Foi em 11 Fevereiro de 2026), cinco anos da morte do Tenente-Coronel Marcelino da Mata, o militar português mais condecorado de sempre: cinco Cruzes de Guerra, das quais várias em 1.ª classe — um feito fora do habitual — além de muitas outras distinções, entre as quais a Ordem Militar da Torre e Espada de Valor, Lealdade e Mérito, no Grau de Cavaleiro, em 1969.
Foram condecorações por reais actos de bravura, não como as da maioria daqueles que hoje se nos apresentam cheios de medalhas que como que lhes cobrem os uniformes, mas que como alguém disse, não passam de Medalhas de Secretaria…
A carreira militar de Marcelino da Mata, faria corar de vergonha, se a tivessem, não poucos dos militares que fizeram e seguiram “Abril”, parece que hoje representados por Vasco Lourenço, militar sem atributos especiais conhecidos, “Pedreiro Livre” condecorado com a “importante” Ordem da Liberdade, a única que de certeza Marcelino recusaria…
Marcelino sobreviveu na defesa da Província da Guiné, terra que o viu nascer, às mais ardilosas armadilhas dos terroristas do PAIGC, e aos mais perigosos confrontos na guerrilha, sempre com a galhardia e heroísmo que o caracterizavam.
Terá participado em mais de 2.400 operações de combate, entre elas as Operações Tridente, e a Mar Verde, Mar Verde essa em que resgatou muitos camaradas presos pelos terroristas em Conakri, sendo que entre eles se destacava o Major António Lobato, na altura Sargento Miliciano, que protagonizou o mais longo cativeiro da história da luta contra o terrorismo no Ultramar: mais de 7 anos.
Nunca abjurou da Bandeira da Pátria que o viu nascer, por ela tendo lutado, como aliás jurou e cumpriu, (ao contrário de outros), não poucas vezes com o real risco da própria vida, bandeira essa que o acompanhou até ao fim, já que o honrou fazendo justiça, quando com as cinco Chagas de Cristo, cobriu o seu caixão no caminho que o levou para a “última morada”.
Não lhe foram prestadas as honras militares completas.
Não se ouviram as salvas militares que se impunham, nem o toque da corneta a silêncio, parece que com o pretexto de estarmos sob a pandemia do COVID. Nem o Estado lhe prestou a distinção que lhe devia ter prestado, o Luto Nacional, Luto Nacional esse que em abono da verdade, terá sido pedido por duas forças políticas representantes do povo português.
A seguir ao 25A foi da pior forma seviciado com as mais terríveis torturas, no RALIS de Diniz de Almeida, apadrinhado pelo sinistro Major Tomé, este último como que uma espécie de caudilho das unidades militares mais extremistas de Abril, e que mais tarde se viria a filiar na UDP, força política hoje representada pelo Bloco de Esquerda.
Esta prisão e tortura, terá representado mais uma “medalha” especial, esta infligida pelos que então diziam querer instaurar a “democracia”, mas que tinham como principal objectivo abandonar os portugueses do Ultramar nas suas terras, à sua sorte, sujeitos às mais ferozes ditaduras políticas, cleptocratas, obedientes então ao Imperialismo Soviético. E também desequilibrar moralmente, diga-se em abono da verdade, as estruturas tradicionais da Nação, com o objectivo claro de a afectar profundamente, assim tentando destruir a nossa Identidade. Algo conseguiram! Esperemos que não tudo.
Mas também aqui, na expressão desta tortura cobarde, Marcelino insistiu em resistir, ainda que longe do berço que o viu nascer, e pelo qual combateu, batendo-se como herói indómito que era.
Foi impedido de voltar a pisar a terra que o viu nascer, sob pena de o ódio dos chefes do PAIGC o assassinarem, PAIGC que que teve “o gozo” de fuzilar centenas, se não milhares de combatentes nativos leais a Portugal, entre eles mais de 70, (talvez 74), Comandos Africanos em Cumeré, e noutros Campos. Os números, se pecarem, será por defeito.
Marcelino da Mata teve também que assistir à distância, à miserável desgraça dos seus conterrâneos, que ainda hoje tentam sobreviver num Estado em que uns “chefes políticos” matam os outros como quem mata uma galinha, e onde está instaurado um miserável narcotráfico, que enriquece a oligarquia, enquanto o salário mínimo que parece não chegar ao equivalente a 90-100 € mal dá para uma ração de arroz.
Teve que se exilar em Espanha até 1975, após o que regressou a Portugal, onde se reformaria, com a patente de Tenente-Coronel, ele que começou “soldado raso”.
Viria a falecer aos 80 anos, no Hospital da Amadora Sintra, traído pelo COVID, a 11 de Fevereiro, em 2021.
No seu funeral, ainda que sob as contingências da pandemia, foi homenageado com a presença dos mais altos Chefes Militares, de representantes da associação de comandos, força de elite que ajudou a formar na Guiné, ex-militares, muitos usando a boina dos comandos, e também ex-paraquedistas, com as suas boinas verdes, a que se juntaram não poucos portugueses amigos e agradecidos, entre os quais eu tive a honra de estar.
À chegada ao cemitério, cumpriu-se um minuto de silêncio, após o que todos gritámos “Mama Sumae” (o grito dos comandos, que significa “aqui estamos, prontos para o sacrifício” em língua Bantu, e que terá sido introduzido nos Comandos pelo então Capitão Caçorino Dias, em 1962), e demos vivas ao herói, talvez um dos últimos símbolos vivos do Portugal que os nossos antepassados nos legaram.
Outro herói do Império, o Coronel Roberto Durão, também disse, de uma forma comovida, algumas palavras de exaltação.
De destacar também a presença de D. Rui Valério, então Bispo das Forças Armadas, e do Padre Ricardo Barbosa, ao tempo Capelão do Regimento de Comandos.
O agora Patriarca de Lisboa, expressou em breves palavras gratidão, destacando as virtudes militares, não deixando de realçar a visão Cristã da morte, que não representa o fim.
Os Heróis, de facto, inquietam. Principalmente em tempos em que deles temos míngua.
Outros tempos virão, certamente com mais heróis, ou não fosse Portugal Terra de Santa Maria, nossa Rainha que de facto é, como Nossa Senhora da Conceição, coroada que foi em 1646 por D. João IV, o Restaurador.
Marcelino da Mata representa claramente uma figura incómoda para este Regime. Incómoda, porque símbolo acabado do portuguesismo mais puro dos defensores de um Império grande, se quisermos o da “Nação Una” do insuspeito Norton de Matos, o da “Exortação à Mocidade”.
Um Império que viabilizava e concebia a Pátria na sua verdadeira Raça, não a das cores nem das etnias, que eram respeitadas e assimiladas, mas precisamente a da defesa e promoção de uma dignidade cristã muito particular, extremamente rica através da sua unidade na diversidade, como entidade original e multirracial que era, na linha moral e patriótica de Afonso de Albuquerque.
Um modelo que ninguém mais terá sabido ou querido desenvolver no Mundo, e por isso por tantos invejado, e por alguns poucos, (pouco) “portugueses”, injusta e cruelmente recusado. Esse o segredo Português. Marcelino da Mata, era, como por exemplo Aniceto do Rosário, Oliveira e Carmo ou Maggiolo de Gouveia, um dos prémios desse segredo, mas não o único, como todos sabemos. Somos um Povo de Heróis, ainda que alguns miseráveis tenhamos. É assim a História em todo o lado. Alguns dão a vida pela Pátria, outros dão a Pátria pela vida…
Reduzidos que estamos à expressão europeia, vivemos num tempo de ingratidão para com todos quantos constituíram, não sem esforço e dedicação, a nossa Arquitectura. Lamentavelmente temos hoje mais “máquinas demolidoras”, do que construtores, talvez mais por incompetência e ignorância do que por uma maldade que já como que se esgota por aqui, transformada que foi na mediocridade em que vivemos. E por isso também falta visão, doação e a expressão de um carácter indómito que nos caracterizou. É o império do egoísmo, e do individualismo.
As actuais “elites“ deturpam e desrespeitam o nosso capital histórico, por fraqueza, e por uma visão deturpada e criminosa do que pode ser um ser humano, do que pode ser uma grande Nação. Por complexo? Não sei. Por falta de cultura? Talvez. Por deslealdade ao património da nossa História? Certamente.
Cabe-nos pois a nós elevá-lo, difundi-lo, para que pelo menos nossos filhos e netos, saibam bem quem foram todos os verdadeiros heróis, (e houve muitos), da nossa História. Para que pelo menos assim possa continuar Portugal.
Marcelino da Mata foi traído pela doença. Terá sido, de facto, a sua única derrota, naquele que foi o seu último combate, certamente rumo ao Altar da Pátria.
Marcelino da Mata era muito maior do que qualquer um que dele desdenhe. Os heróis, podem ficar tristes. Mas não se deixam abater pelos homens maus.
Lembrá-lo-emos também todos, nos “nossos” 10 de Junho, no Bom Sucesso, de que ele tanto gostava, e a que raramente ou nunca faltava.
Portugal não pode esquecer os seus heróis, as suas referências. Como não esquece entre tantos, o Condestável do Reino, São Nuno de Santa Maria, Patrono da Infantaria, Guerreiro e Santo.
Esquecer, é como que caminhar para o fim. Justamente aquilo que não queremos.
Não significa isto que não seja cada vez mais actual a frase de Salazar, “Havemos de chorar os mortos, se os vivos os não merecerem”.
Marcelino mereceu os nossos mortos. Não poucas vezes colocou em risco a sua própria vida, por um Ideal, que na altura, mal ou bem, se confundia com o de não poucos portugueses.
Muitos vivos não merecem o seu legado, nem o dos nossos maiores, nomeadamente pelos vistos, uma senhora deputada municipal do CDS, que não sei quem é, e que terá votado esta semana, juntando-se a toda a esquerda, contra a atribuição do seu nome a uma Rua de Lisboa.
Portugal, nunca esquecerá este grande Português da Guiné, guerreiro dos melhores, de seu nome Marcelino da Mata.
Os traidores, esses sim, na sua maldade e ignorância do que é ser PESSOA, procurarão sempre rasgar a página da História, onde o seu nome ficou registado, com o de outros tantos, de forma indelével. Quer queiram, quer não.
Assim sendo, uma vez mais e sempre,
“Mama Sumae”, Marcelino!
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