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O preço de não inovar

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24.08.2026

Portugal enfrenta hoje um paradoxo que já não podemos ignorar. Nunca tivemos tantos desafios em saúde e, ao mesmo tempo, nunca dispusemos de tantas oportunidades para os enfrentar.

A população residente ultrapassou os 11,4 milhões de pessoas, o valor mais elevado da nossa história recente. O número de utentes inscritos no SNS aproxima-se dos 10,8 milhões. Vivemos mais anos, mas também convivemos mais tempo com doenças crónicas, multimorbilidade e necessidades crescentes de cuidados de saúde. O resultado é conhecido: maior pressão sobre profissionais, hospitais, cuidados de saúde primários e orçamentos públicos.

Perante esta realidade, a discussão pública sobre a inovação terapêutica continua, demasiadas vezes, condicionada por uma visão de curto prazo: quanto custa um novo medicamento? A pergunta verdadeiramente estratégica deveria ser outra: quanto custa ao país não investir na inovação que pode evitar doença, incapacidade, internamentos e morte prematura?

Os dados mais recentes ajudam-nos a responder. Um estudo europeu realizado pelo instituto WifOR para a EFPIA conclui que, entre 2014 e 2022, a utilização de medicamentos inovadores esteve associada à redução de 1,83 milhões de anos de vida perdidos prematuramente e de 20,9 milhões de dias de internamento hospitalar em 29 países europeus. O impacto económico agregado ultrapassou os 66 mil milhões de euros, através de ganhos de produtividade, valorização do trabalho não remunerado e poupanças diretas para os sistemas de saúde.

Traduzido numa métrica simples: por cada euro investido em medicamentos........

© Jornal Económico