A guerra que já começou
Durante anos, falou-se de uma nova Guerra Fria como metáfora. Um conceito cómodo para analistas que precisavam de explicar tensões crescentes sem assumir que o mundo tinha, de facto, entrado numa nova fase de confronto. Os acontecimentos dos últimos dias na Venezuela tornam essa prudência obsoleta. A guerra já começou. Apenas não começou onde muitos esperavam.
A captura de Nicolás Maduro pelas forças americanas não é um episódio isolado, nem uma operação cirúrgica destinada a corrigir um desvio autoritário. É um acto de força deliberado, uma violação aberta do princípio da soberania estatal e um sinal inequívoco de que Washington abandonou qualquer pudor jurídico na defesa dos seus interesses estratégicos. Não estamos perante uma operação moral. Estamos perante uma operação de poder.
O erro fundamental é olhar para a Venezuela apenas como Venezuela. O que está em causa não é Caracas, nem sequer o chavismo enquanto regime. O que está em causa é o controlo de um espaço económico, energético e geopolítico central na disputa entre os Estados Unidos e a China. A Venezuela é o primeiro movimento visível de uma estratégia muito mais ampla.
Donald Trump não regressou ao poder com a intenção de gerir o declínio americano. Regressou com a convicção de que esse declínio pode ser travado à força. Não pela via da inovação, onde a China já rivaliza ou supera os Estados........
