Ainda estava tudo a digerir a vitória do partido que ficou em terceiro lugar nas eleições, mas que efetivamente as venceu, quando o PCP nos atira com uma moção de rejeição ao Governo da Aliança Democrática (AD) do qual ainda nem sequer conhecemos um único rosto, exceto o de Luís Montenegro.

É difícil entender a lógica desta estratégia política, sobretudo traçada por quem teve uma derrota monumental no sufrágio de domingo e vê os seus eleitores a extinguirem-se eleição após eleição. Paulo Raimundo alega que a moção de rejeição ao programa da AD é um “sinal político de clareza” e que mostra que os comunistas estão “na primeira linha de combate à Direita e ao projeto da Direita”. Mas mostram a quem?

O país foi a votos e ainda aguarda pelos resultados dos círculos da Europa e Fora da Europa. É certo que não deverão alterar significativamente a distribuição de mandatos no Parlamento (quatro por entregar), mas, na verdade, não são conhecidos. Assim como o programa do futuro Governo. Assim como o primeiro-ministro. Será Luís Montenegro, mas ainda não foi indigitado.

Esta prova de vida que o PCP quer dar deveria começar por ser feita dentro de casa e não fora dela. O PCP continua a ser um partido importante para a democracia portuguesa e devia lutar por manter essa necessidade.

Por outro lado, Pedro Nuno Santos foi claro durante a campanha ao afirmar que não aprovaria moções de rejeição. Já o Bloco e o Livre revelam mais sensatez ao só decidirem a sua posição quando conhecerem o programa do Governo, assim como o texto da própria moção.

Não é um bom sinal para as esquerdas que agora querem unir forças para debater os “elementos de convergência futura, na oposição ao novo Governo”. Uma geringonça tardia.

Sempre ouvimos dizer que saber perder talvez seja mais importante do que saber ganhar. Mas perder para continuar a engrandecer forças populistas é mesmo uma derrota.

QOSHE - Uma moção sem noção - Manuel Molinos
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Uma moção sem noção

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15.03.2024

Ainda estava tudo a digerir a vitória do partido que ficou em terceiro lugar nas eleições, mas que efetivamente as venceu, quando o PCP nos atira com uma moção de rejeição ao Governo da Aliança Democrática (AD) do qual ainda nem sequer conhecemos um único rosto, exceto o de Luís Montenegro.

É difícil entender a lógica desta estratégia política, sobretudo traçada por quem teve uma derrota monumental no sufrágio de domingo e vê os seus eleitores a extinguirem-se eleição........

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