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Gotas de águas para a inclusão

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24.02.2026

Ter um filho com uma incapacidade, em particular se for cognitiva, é uma corrida de barreiras numa pista com pendente que desafia as encostas do Evareste. As terapias no Serviço Nacional de Saúde e na escola pública para crianças com necessidades educativas (NEE) são como o avistamento de um ser mítico: ou não existem ou a resposta é tão insuficiente, que empurra os pais para as consultas no setor privado, pagas a 100% pelo orçamento familiar que sofre um adelgaçar súbito e permanente. A vida muda, o Estado Social falha e o que a Segurança Social assegura a quem não é pobre - leia-se classe média - não chega sequer para pagar uma semana de terapias. Os obstáculos são incontáveis. O Governo proclama a inclusão, todavia confunde igualdade com equidade. Deixo um singelo exemplo: o Ministério da Educação - que não providencia recursos adequados - proíbe a entrada na escola pública de terapeutas particulares, obrigando a que as crianças façam as terapias em períodos pós-letivos - ao final da tarde, quando já estão cansadas e menos recetivas a essas aprendizagens - ou que os pais tenham flexibilidade no horário de trabalho para levar os filhos às clínicas e trazê-los de volta à escola, duas ou mais vezes por semana. O percurso de curvas inquietas e chão indomado é feito, também, de muito altruísmo e de almas que, com quase nada, fazem muito. E essa gente de coração na mão são o balão de oxigénio de progenitores esgotados no dia-a-dia. Há projetos que, sendo gotas de água, ajudam a aliviar a carga dos pais, como a Unidade Móvel Terapêutica da Fundação AMA ou o programa Gaiaaprende+ I da Câmara de Gaia, que levam atividades terapêuticas às escolas, ou os programas Patinhas 21 e EducaCão das câmaras de Esposende e de Barcelos.


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