Crescer não deve doer: Sinais de alerta ortopédicos em crianças e adolescentes ativos
A prática desportiva na infância e adolescência é, indiscutivelmente, um pilar essencial para o desenvolvimento físico, emocional e social. Crianças e adolescentes ativos apresentam melhores níveis de saúde cardiovascular, coordenação motora e autoestima. No entanto, o aumento da intensidade, da frequência e da exigência desportiva em idades cada vez mais precoces tem vindo a expor uma realidade clínica que não deve ser ignorada: a dor não é uma consequência inevitável do crescimento.
Na consulta, é frequente ouvir pais e cuidadores justificarem queixas persistentes como "dores do crescimento". Esta expressão, amplamente utilizada, acaba muitas vezes por mascarar sinais ortopédicos relevantes e atrasar a avaliação médica adequada. Do ponto de vista clínico, crescer não deve doer - e quando dói, é fundamental perceber porquê.
O corpo em crescimento não é um adulto em minuatura
Durante a infância e adolescência, o sistema músculo-esquelético encontra-se em constante transformação. Ossos, músculos, tendões e ligamentos não crescem ao mesmo ritmo. As cartilagens de crescimento, presentes em várias zonas do esqueleto, são estruturas particularmente vulneráveis à sobrecarga mecânica.
Este desfasamento fisiológico torna o corpo jovem menos resistente a cargas repetitivas, impactos excessivos e volumes de treino mal ajustados. Quando estas fragilidades não são........
