O patrimônio não costuma envelhecer bem
Há alguns dias, ouvi uma frase de Cesar Chicayban, CEO do Private Bank da XP, durante uma conversa com a segunda geração de uma família empresária cujo patrimônio supera R$ 100 milhões.
“O patrimônio não costuma envelhecer bem”, disse ele.
A frase ficou comigo.
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À primeira vista, ela poderia ser interpretada como uma provocação sobre investimentos. Afinal, patrimônios precisam ser preservados, diversificados e protegidos da inflação, dos impostos e das mudanças econômicas. Mas não era disso que ele estava falando.
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O patrimônio daquela família havia sido construído pelo pai, empresário, ao longo de décadas. A conversa, porém, era com quem provavelmente terá a responsabilidade de carregá-lo nas próximas décadas.
E talvez esteja justamente aí um dos maiores desafios das famílias que construíram riqueza: construir patrimônio e perpetuar patrimônio são competências completamente diferentes.
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O fundador conhece cada cicatriz daquilo que construiu. Lembra dos primeiros clientes, dos empréstimos, das noites mal dormidas, das crises que quase destruíram a empresa e das decisões que poderiam ter dado errado. Para ele, R$ 100 milhões não são apenas R$ 100 milhões. São a representação financeira de uma história.
Os filhos recebem os R$ 100 milhões, mas não necessariamente recebem as cicatrizes — e isso não é culpa deles, porque experiência não se transmite por escritura.
Segundo o Global Wealth Report 2025, da UBS, mais de US$ 83 trilhões deverão mudar de mãos no mundo nos próximos 20 a 25 anos.
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