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O voo do albatroz

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17.05.2026

Será tarde demais para desejar feliz Dia das Mães? É claro que não... Agora, enquanto escrevo, sei que os olhos do público só pousarão sobre estas linhas no domingo que vem, mas adianto-me a traçá-las ainda sob a gostosa influência do domingo recém passado, em que recebi o carinho dos meus filhos. Digamos que hoje seja, com o perdão da brincadeira, a “oitava” do Dia das Mães. E não é o mês de maio inteiro, segundo o costume católico, dedicado à Virgem Maria, a Mãe das mães? No mês de maio, não são poucas as crianças, pelos colégios e paróquias, que se vestem como anjos e, com sua candura infantil, representam o que deve ser cortejo celeste. Tomam pétalas de rosas e outras flores – é a primavera do Hemisfério Norte a origem mais remota dessas comemorações –, e louvam a mãe bendita do Cristo Senhor, por meio de quem nos veio a salvação. Coroam-na, enfim, com uma coroa simbólica, que representa aquela verdadeira que o mesmo Jesus pôs em sua cabeça, lá no Céu, cumprindo as profecias e os salmos. E a Mãe das mães faz todo o mês de maio ser, se quisermos, um prolongado Dia das Mães – se quisermos, sobretudo, lembrar do seu exemplo, das suas alegrias, mas principalmente das suas dores, e do amor que teve e tem por Deus e por todos.

É como diz aquela velha oração oriental, tão linda: “O Céu disse à Terra: – Bem-aventurada sois! Como sois feliz, porque possuís o que há de mais precioso: as mães. Dai-me uma mãe e, em troca, eu vos darei Deus! – E então Deus desceu do Céu e tomou para si uma mãe; com ela habitou na Terra, e com ela depois regressou ao Céu, e ali a fez assentar-se ao seu lado...”

Somos, nós mães, segundo a oração, o que há de mais precioso, e a Terra é chamada de bem-aventurada por nos possuir em seu território! Somos assim preciosas mesmo? Boa parte, quiçá a maioria de nós, tem, por nossas próprias mães, um amor e um carinho imensos, tão grandes que nos fazem de fato compreender essas afirmações. Mas, e quando olhamos para nós próprias? Para a nossa maternidade que, comparada à das mães de algumas de nós, ou, se não, comparada à daquelas mães que temos como modelares, como exemplos de dedicação, entrega, cuidado e afeto, parece coisa pouca, parece tão imperfeita?...

Somos, nós mães, segundo a oração, o que há de mais precioso, e a Terra é chamada de bem-aventurada por nos possuir em seu território

Somos, nós mães, segundo a oração, o que há de mais precioso, e a Terra é chamada de bem-aventurada por nos possuir em seu território

Olhamos para o conjunto dos nossos dias, arrastados uns após os outros, emendados por noites mal dormidas, noites claras às vezes, e o que vemos? Quanta dificuldade... Um serviço invisível, na calada da noite, de oferecer no peito o leite que sustenta a vida, que robustece o corpo daquele que há pouco chegou ao mundo. De balançar, para cá e para lá, o futuro da nação, para que durma outra vez. E cantar outra canção, e afagar uns cabelos, ou dar tapinhas no bumbum daquele que precisa disso para engatar no sono. E contar outra história, e conversar........

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