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Carlos Maltz, o incancelável roqueiro de direita

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05.08.2026

Conheci as músicas de Carlos Maltz nos anos 90, nos tempos da República da Humaitá, quando éramos todos militantes de esquerda. Naqueles dias de vertigem e ilusão, o som dos Engenheiros do Hawaii era a trilha sonora de uma geração que buscava sentido na poeira da ideologia. Hoje, 40 anos depois, continuo ouvindo o Maltz, mas com uma diferença essencial: tenho o orgulho de chamá-lo de amigo.

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Baterista e fundador de uma das bandas mais emblemáticas do rock nacional, nascida em Porto Alegre em janeiro de 1985, Maltz ajudou a desenhar o imaginário sonoro do país. Ao lado de Humberto Gessinger, gravou dez discos de ouro e um de platina, arrastando multidões por todo o Brasil, pela União Soviética, Estados Unidos e Japão. Nascido no histórico 24 de outubro de 1962 — dia da crise dos mísseis em Cuba —, o filho de Leão e Marta parece ter trazido do próprio berço o destino de caminhar sob climas tempestuosos.

Homem de família, casado com Ana, pai de Mariana, Rosana e Larissa, e avô de Antônio, José e Miguel, Carlos Maltz nunca se deixou aprisionar pelo molde estreito do “ex-popstar”. Ao deixar a bateria do trio gaúcho nos anos 90, partiu para novas e profundas buscas. Graduou-se em Psicologia em Brasília e tornou-se um arguto estudioso da obra de Carl Jung e da astrologia simbólica, além de escrever dois romances. Hoje, vivendo na tranquilidade de Joaçaba, em Santa Catarina, mantém o pulso firme no ritmo da vida, tocando com a própria família na banda Os Maltz.

No entanto, por ter a coragem de assumir posições abertamente conservadoras, Carlos Maltz tornou-se alvo de olhares atravessados, patrulhamentos rasteiros e tentativas de cancelamento por parte de antigos colegas de profissão — gente que confunde arte com histeria ideológica. Mas quem conhece a trajetória e a honestidade de Maltz sabe que ele prefere o desterro dos rótulos à subserviência do rebanho. A seguir, uma conversa franca com um artista que não vendeu a sua alma:

Paulo Briguet: O que você, um roqueiro de direita, tem a dizer sobre a omissão (quando não a cumplicidade) dos rockeiros de esquerda diante das atrocidades socialistas no Brasil e na América Latina nos últimos 36 anos?

Carlos Maltz: Há uma ideia do crítico H. L. Mencken que considero vital para qualquer artista: ele não pode estar a serviço de uma ideologia. O artista é escravo de si mesmo — daquilo que Jung chamava de self, esse eu superior, essa consciência. Se não for fiel ao que os próprios olhos veem e ao que a própria consciência avalia, o artista não serve para nada. E isso vale não só para os roqueiros, mas para qualquer artista: quem vende ou aluga a sua consciência — por dinheiro, por interesse, para ficar bem na foto ou receber aplausos — comete uma espécie de suicídio existencial. A partir daí, deixa de servir para qualquer coisa.

Quem vende ou aluga a sua consciência comete uma espécie de suicídio existencialCarlos Maltz

Quem vende ou aluga a sua consciência comete uma espécie de suicídio existencial

Paulo Briguet: “Fidel e Pinochet tiram sarro de você que não faz nada." Quando ouvi esse verso pela primeira vez, eu era militante de esquerda, e ele me deixou com uma pulga atrás da orelha. Como membro dos Engenheiros do Hawaii, você era alvo........

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