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Zema: “Pode ser um copo contra o Lula que eu estarei com o copo”

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07.08.2026

Em entrevista concedida após o anúncio da chapa presidencial do Novo, Romeu Zema falou ao programa Sem Rodeios e à coluna Entrelinhas sobre a disputa de 2026, respondeu às críticas de que sua candidatura dividiria a direita e deixou claro que, em um eventual segundo turno sem sua presença, apoiará qualquer adversário de Luiz Inácio Lula da Silva. Ao longo da conversa, o ex-governador de Minas Gerais também defendeu mudanças no STF, prometeu um amplo programa de privatizações, reformas administrativas e tributárias, criticou o aumento dos gastos públicos e afirmou que pretende repetir em Brasília o modelo de gestão que, segundo ele, recuperou as finanças mineiras.

Entrelinhas: O senhor tem feito críticas ao Supremo Tribunal Federal, especialmente em relação ao que considera excessos e conflitos de interesse envolvendo ministros da Corte. Caso seja eleito presidente, como pretende conduzir a relação entre o Executivo e o Judiciário? E qual deve ser o papel do presidente diante de eventuais pedidos de impeachment de ministros do STF?

Zema: Tenho sido o candidato que mais critica essas aberrações que nós temos assistido de maneira indignada, principalmente no Supremo. É ministro cuja esposa consegue contrato milionário, outro que faz transação acionária milionária, outro que consegue patrocínio para fóruns jurídicos e vários andando em aviões de banqueiro investigado. Em qualquer país sério do mundo, isso já teria ocasionado impeachment, para não dizer prisão, dos envolvidos.

Sei que o impeachment depende do Senado, mas, como não tenho rabo preso, continuarei levando essa luta adiante. Inclusive, estou sendo processado pelo ministro Gilmar Mendes e nem por isso vou recuar.

Também quero mudar a forma de indicação dos ministros do Supremo. Defendo idade mínima de 60 anos, o fim das decisões monocráticas e uma lista tríplice, como utilizei em Minas Gerais, para que o presidente escolha entre bons nomes, e não indique advogado pessoal, advogado de partido ou um aliado político.

Entrelinhas: O senhor afirma que há um desequilíbrio entre os Poderes e que o Supremo tem invadido competências do Congresso Nacional. Em Minas Gerais, o senhor governou sem uma base sólida na Assembleia Legislativa e precisou construir diálogo com os demais Poderes. O que essa experiência lhe ensinou e como ela pode ser aplicada em uma eventual Presidência da República?

Zema: Quando cheguei ao governo de Minas, eu tinha capital político zero. Nunca tinha sido vereador, prefeito ou deputado. Muita gente dizia que meu governo não iria funcionar.

No meu discurso de posse deixei claro, na Assembleia, no Tribunal de Justiça, no Ministério Público, no Tribunal de Contas e na Defensoria Pública, que iria combater a corrupção como nunca havia sido feito. Disse que estava na porta do galinheiro com uma espingarda na mão e que qualquer raposa que se aproximasse teria problema comigo.

Fui governador durante sete anos e meio e ninguém nunca apareceu para me oferecer vantagem, pedir favorecimento ou propor qualquer negócio que me beneficiasse. O exemplo vem de cima. Infelizmente, o Brasil sempre teve presidentes........

© Gazeta do Povo