Os acertos e a omissão da CNBB em mensagem sobre eleições
Na semana passada, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) divulgou uma “Mensagem ao povo brasileiro” por ocasião das eleições de outubro. É um texto genérico, mas não digo isso como crítica; afinal, como diz a própria mensagem, “a Igreja Católica não indica candidatos nem partidos” – o que ela pode fazer é apontar princípios, dos importantes aos inegociáveis; além disso, a doutrina católica, inclusive a Doutrina Social da Igreja, vai nos apontar certas ideologias ou correntes que são incompatíveis com a dignidade humana e princípios básicos do cristianismo.
Os bispos afirmam que “não podemos silenciar diante da escandalosa desigualdade social, da corrupção, da compra de votos, da utilização indevida dos recursos públicos e da disseminação deliberada de mentiras (fake news). Não é possível aceitar o abuso do poder econômico e político e as formas de violência que ameaçam a convivência social”. E estão certíssimos! Tudo isso é tremendamente condenável, e o eleitor católico precisa estar atento a todos esses aspectos, à história do candidato, e perceber inclusive que compra de votos, nos dias que correm, não existe apenas naquela modalidade “direta”, mas também de várias outras formas que dilapidam as contas públicas e contratam crises econômicas futuras.
O problema da mensagem não é o que está lá, mas o que ficou de fora, especialmente algo que é inegociável para um católico: a defesa da vida humana........
